Justiça Divina

O Livro dos Espíritos nas primeiras questões nos esclarece que DEUS é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, não tem começo nem fim, que é todo amor, todo bondade e todo justiça.

DEUS que é toda justiça, podemos afirmar que a justiça de Deus não inocenta os culpados, por mais escondidos que eles estejam, nem culpabiliza os inocentes, por mais caluniados que eles sejam. Deus é onisciente e conhece a dimensão exata da nossa culpa, e também sabe quando alguém está transferindo sobre outrem uma falsa culpa.

A justiça de Deus não é negociada, não é comprada, nem é subornada. A Sua justiça muitas vezes, ao nosso parecer, é lenta: porque ela não está a serviço de poder econômico algum, de poder político algum, de religioso algum. Deus é independente de qualquer necessidade e absoluto em Suas decisões. Nada pode intimidá-lo na aplicação da Sua justiça. Ninguém pode manipular os resultados dos Seus juízos, nem torcer aos padrões da Sua retidão.

Deus retribui a cada um segundo a sua medida. A justiça de Deus separa o falso do verdadeiro, o joio do trigo, o fingido do autêntico, o condenado do perdoado, o incrédulo do crente, o perdido do salvo.

Nada mais atual, transformador e revolucionário do que a justiça apresentada por Cristo como proposta para a vida humana. “Sede santos, perfeitos, justos e misericordiosos como o Pai do Céu o é” (Lv 19,2; Mt 5,48; Lc 6,36).

Jesus ensina e pede a nós: “se alguém lhe dá um tapa, oferece a outra face”, “se te tirar a túnica, dê-lhe também o manto”, “se alguém te forçar andar um quilômetro, anda com ele dois”. “Ouvistes falar o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam pois assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, que faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos… pois se amais somente os que vos amam que recompensa tereis…?”. (Mt 5,38-48).

Jesus é enfático: Ensina que a justiça do Pai é o amor de misericórdia, pois somente o amor corrige o erro. Para Jesus toda pessoa é antes de tudo um irmão. O amor ao próximo deve se estender a todos, também ao inimigo. Só quem age assim se transforma, se reforma, evolui e ama com o amor de Deus.

Outra consequência desse erro é se acreditar que Deus é cruel e vingativo, e que Ele castiga aos seus filhos. E erro maior ainda é o de se considerar esse castigo eterno em local destinado ao suplício dos pecadores, por toda a eternidade.

O Espiritismo vem e nos dá outra visão. O homem não é um pecador, é um espírito criado simples e ignorante, destinado a alcançar, por seus próprios esforços, a plenitude, a perfeição, a felicidade. Deus criou a todos iguais, sem privilégios para ninguém, senão seria injusto.

Dotou ainda ao homem do livre-arbítrio para que cada um possa caminhar com inteira liberdade de ação e aprender com o próprio erro. Estabeleceu normas e bases corretas, e uma lei de reajuste automático denominada Lei de Causa e Efeito.

Não há como se falar em Justiça Divina, sem falar da Lei de Causa e Efeito, pois se entrelaçam e misturam de tal forma que se torna quase impossível falar de um sem mencionar os outros.

O conceito mais popular de justiça, mencionado inclusive n’O Livro dos Espíritos é que justiça é dar a cada um o que merece. É um conceito clássico. Porém todos nós achamos que merecemos mais do que temos recebido. E nos achamos injustiçados.

Entretanto, embora simples, o conceito acima nos basta para entendermos o motivo de misturarmos temas como justiça e lei de causa e efeito.

Os espíritos falam em “lei de causa e efeito” e não em “lei de ação e reação”. Parece uma diferença sem importância, porém, é importante termos em mente que se toda causa tem um efeito, e toda a ação tem uma reação, a lei de ação e reação prevê que ” toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e sentido contrário”.

Ora, por que então confundimos tanto lei de causa e efeito com lei de ação e reação? Porque ainda não entendemos que justiça é diferente de vingança. A justiça perdoa, leva em conta as circunstâncias, grau evolutivo, conhecimento, intenção. A vingança quer apenas que o outro sofra do mesmo modo como fez sofrer.

Apesar de todos os exemplos e de tudo que JESUS nos ensinou, ainda não aprendemos a nos conciliar com o nosso adversário quando estamos a caminho do tribunal, muito menos a perdoar setenta vezes sete vezes, e menos ainda que o Amor cobre a multidão de pecados, e que a quem muito se perdoa, muito se ama.

Deus nos criou para a felicidade, não para o sofrimento. É um erro supor que a Terra será sempre um vale de lágrimas. Um dia, com toda a certeza, aprenderemos com os nossos próprios erros, e colocaremos em nossos corações o Evangelho de Jesus. Aprendendo a nos amar, e colocando esse amor na frente de todos os nossos atos, mudaremos o mundo.

Somos os construtores de nosso destino. Por enquanto, é um destino muito feio, calcado no egoísmo, no orgulho, na prepotência. Mas as conseqüências de nossos erros guardam em si mesmos o remédio para nossos males, e nos impulsionam a mudar, a modificar nossa vida, nossos hábitos, nosso modo de agir.

Em O livro dos Espíritos, os mensageiros espirituais esclarecem a grande questão do sofrimento, da dor, da enfermidade, afirmando que não são fatores propostos pelo Criador, mas consequências das violações de Suas Leis. Deus, na Sua bondade infinita e justiça, permite que o culpado retorne ao cenário onde delinquiu, para a retificação dos seus erros, através da reencarnação.

Com tudo isso, a Doutrina dos Espíritos nos chama a raciocinar, nos chama a modificar, a trabalhar, prega a Fé raciocinada, de que nada acontece por acaso, não temos certas enfermidades por acaso, não passamos por dificuldades por acaso, tudo é um aprendizado, evolução, e só depende de cada um dar o passo para a felicidade plena no reino de DEUS.

Só podemos falar em justiça verdadeira, quando aliamos ao nosso desejo de que o mal seja reparado pelo sentimento de misericórdia para quem ainda erra, e, no caso de sermos nós os ofendidos, quando sinceramente aprendermos a perdoar. Então poderemos dizer, sem nenhuma hesitação: Pai, perdoa nossas dívidas como perdoamos nossos devedores.

Dificil? Mas não impossível!

Artigo: Emanuelle Parizatti Leitão
Email: emanuellepl_adv@terra.com.br

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Uma resposta para Justiça Divina

  1. Adauto Quirino Silva disse:

    Parabéns, Emanuelle! Seu artigo mostra bem a diferença entre justiça e vingança. A lei divina – de causa e efeito – propõe justiça e não vingança. E, por mais complexa que pareça a multiplicidade de relações interpessoais estabelecida ao longo de sucessivas migrações na matéria, ninguém escapa às consequências dos próprios atos. Daí, como você bem colocou, nós aprendemos com os próprios erros. Sendo o livre-arbítrio uma prerrogativa atribuída pelo Criador à criatura, e sendo esta criada simples e ignorante, nada mais justo que aprendermos com nossos erros; mesmo porque a Providência Divina não nos relega ao esquecimento, enviando sempre à humanidade os Espíritos evoluídos com a missão de iluminar o nosso caminho.

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