Psicografia: Sexo, vida sexual e amor

Autor: Ishmael benGurion
Médium: Elerson Gaetti
Data: 11 de outubro de 2012

O amor de Jesus em cada um dos filhos do Pai.

Meus caros amigos, temos dificuldades em entender porquês tantos assuntos se convertem em dogmas e deixam de ser estudados, discutidos.

Será que não é falta de vontade ou de coragem em discutir?

Será que não é comodismo?

A maior virtude de discutir um tema é impedir que os conceitos arcaicos se cristalizem como verdade acima da razão. É estimular a reflexão.

Quanto ao sexo e a sexualidade, o amor e a evolução, muitos aspectos ainda deverão ser esclarecidos e não podemos esperar a resposta para todas as questões, mas devemos adotar uma postura ativa e consciente dos deveres que se descortinam diante dos olhos dos servidores do Cristo planetário.

A falarmos do amor, vemos a evolução dos sentimentos e características da personalidade humana ao longo do tempo. É falar de física e química, transportadas para a biologia mais pura e para a evolução do espírito ao longo das eras geológicas. A atração recíproca estabelecida entre as unidades elementares da matéria é a base do processo. De forma mecânica e automatizada, as primeiras formas de vida, possuidoras do princípio vital e dos rudimentos mais simples do princípio inteligente geravam cópias de si mesmas, produzindo clones naturais, que adquiriam experiências e se desenvolviam em função da interação com o ambiente externo. A velocidade com que o processo se estabelecia compensava a falta de variabilidade genética da população e logo a diversidade se estabeleceu como fruto de transformações em curso no corpo físico e nos primeiros esboços de corpos espirituais em desenvolvimento. Sim, toda forma de vida apresenta uma evolução dupla, física e espiritual, nas diversas esferas onde a vida se apresenta.

Nesse processo, a palavra sexo perde completamente o sentido de ato sexual ou mesmo de amor, como atualmente empregado. Para o princípio inteligente que se converteria em espírito propriamente dito nas formas mais complexas, não existia a noção de macho ou fêmea e a vida seguia um curso que primava pela simplicidade de comportamentos, ao mesmo tempo em que as formas simples criavam condições para o surgimento de variáveis mais complexas, como os seres eucariotos e, por fim, organismos capazes de reprodução verdadeiramente sexuada.

Nesses organismos mais complexos, frutos de engenharia engendrada pelos espíritos diretores do orbe terreno, utilizando-se das leis biológicas já conhecidas de todos, evolucionárias e meritocráticas, onde o mais apto é rapidamente guindado a novas experiências e passa a dirigir todo o processo evolutivo, incorporando o princípio inteligente que estagiava nas formas que estavam sendo superadas, observou-se a formação de gametas e o processo de reprodução sexuada, aumentando, em ritmo exponencial, a variabilidade de formas e individualidades que podiam ser geradas pela vida em desenvolvimento.

Esse fenômeno permitiu um aumento da complexidade das formas de vida e de sua variabilidade genética, mas também foi acompanhado pelo estreitamento dos laços entre os indivíduos que compunham a referida população. O prazer sexual é subproduto das vantagens biológicas desse modelo reprodutivo e objetivava criar um prêmio para os organismos envolvidos. Assim, embora eu me arrisque ao ridículo aos olhos de vocês, gostaria de colocar que foi o sexo, na forma de processo biológico, com seus mecanismos de prazer e recompensa, que criou os rudimentos do comportamento grupal. O prazer sexual tinha o objetivo de criar a recompensa para os indivíduos mais aptos e cada espécie e população acabaram desenvolvendo mecanismos secundários capazes de permitir a propagação de seus genes, atuando como instrumentos de uma espiritualidade que sempre utilizou a biologia como um meio para o crescimento do espírito imortal, em suas experiências no plano físico.

Sei que muitos de vocês encaravam o homem como um ser separado do mundo natural e todo tipo de preconceito tem nessa ideia a sua origem. Somos animais sim! Mas animais capazes de compreender, com relativa segurança, os destinos dos nossos grupos e capazes de modificar nossas tendências e imperfeições. O que os hindus chamam de “karma” é exatamente isso, o conjunto pessoal de tendências e características que se desenvolveu ao longo de nossas vivências múltiplas, no orbe terreno e fora dele.

Nesse contexto puramente fisiológico, o sentido de afeto se desenvolveu inicialmente nas espécies grupais, tanto em aves, quanto mamíferos. O sentimento de “fazer parte” deu origem ao “querer estar ali”, de pertencer a um grupo e esses comportamentos passaram a se firmar. Noções de “família” se desenvolviam, se aprimoravam, preparando a entrada da responsabilidade pessoal e coletiva no grupo…

Essas transformações silenciosas também se processavam no seio das “famílias” animais, onde o comportamento, inicialmente instintivo, logo deu origem a afeto verdadeiro entre a prole e seus pais, normalmente representados apelas pela mãe. A finitude da vida, a precariedade das condições e a insignificância do ser diante do mundo que o envolvia produziam medo profundo e isso foi sendo mesclado, nos proto-humanos, pela ideia de que os indivíduos do grupo eram protegidos pelos deuses, representados, então, pelas forças da natureza. Nessa época, floresciam na superfície da Terra, os primeiros hominídeos e o comportamento de “macho” ou “fêmea” passou a se fixar de forma mais ou menos nítida em todos aqueles que encarnavam entre nossos ancestrais.

Com o tempo, essa característica predominantemente ativa ou passiva, masculina ou feminina, passou a marcar de forma mais ou menos nítida as características dos indivíduos, que passaram a refletir, em seus espíritos, as opções e peculiaridades de seus traços mais íntimos. A sexualidade nasce da complementariedade, da cumplicidade e da biologia, cada uma criando condições mais favoráveis e fornecendo suas nuances. Contudo, a despeito do imperativo fisiológico,é com o surgimento da razão que a escolha pessoal amplia profundamente as possibilidades no âmbito sexual. Muito do que hoje discutimos, com respeito às parafilias, desvio de normalidade e enfermidades de cunho sexual se originaram de desarmonias entre os corpos físicos e espirituais no passado remoto ou recente.

No homem moderno, o ato sexual pode vir acompanhado de desejo mais ou menos sincero de constituir uma família, refletindo as afinidades pessoais que se estabeleceram em consequência de nossas existências pregressas e da programação reencarnatória que os envolvidos estabeleceram em parceria. Como tudo que nos envolve, o corpo e as circunstâncias não aparecem por acaso e geralmente refletem as nossas mais íntimas características, servindo como um alarme a dizer para o indivíduo que aquela que ali se coloca é a tão esperada companheira que deverá com ele constituir o núcleo de progresso a que denominamos família. Uma característica física ou psicológica, ou a sonoridade ou origem do nome, tudo faz parte da estratégia de reconhecimento entre os futuros parceiros…

Como muitos não escutam o bom senso, às vezes ignoramos esses chamados e os mesmos se repetem de forma progressivamente mais intensa. Diante disso, aceitamos o que o coração nos diz ou não, uma vez que temos o livre-arbítrio e mudamos a nossa programação reencarnatória todos os dias de nossas vidas terrenas, mas, infelizmente, a grande maioria das vezes em que fazemos isso, erramos mais do que supomos. Temos de ter profundo respeito por aqueles com os quais estabelecemos vínculos, mesmo na ausência de uma prole. Contudo, o respeito é o oposto da servidão e devemos ter consciência disso quando interagimos com nossos iguais.

Não estamos advogando o automatismo nas relações humanas, mas apenas que cada um pondere detidamente sobre seus próprios sentimentos e pensamentos, verificando aquilo que parece vir do âmago de suas individualidades. Temos de compreender que a vida é instrumento de renovação e não podemos negar o que de bom emana de nosso ser ou parece ser endereçado a nós vindo dos mais altos planos. Como a Doutrina dos Espíritos coloca, pela obra se conhece o artista. Afinidade e complementariedade se conquistam e nada pode desfazê-las. Nada mesmo.

Aquele que pensa e faz da ponderação a sua bandeira pessoal sabe discernir entre atrações fugazes, de momento, ditadas pela nossa natureza ainda animal, das interações mais iluminadas e destinadas a dar um rumo mais harmonioso às nossas existências. Quando ignoramos isso, erramos e iniciamos um ciclo de relacionamentos de expiação e provas, que predominam entre os encarnados e muitas dores se originam desse aprendizado.

O prazer que surge como recompensa pelo ato sexual, visando reprodução, logo se converte em sentimento de posse e os dramas obsessivos ligados ao sexo mostram exatamente isso, os desvios da personalidade que busca o prazer como único objetivo de vida; o prazer acima ou a despeito de tudo.

Essa relação de posse vai sendo dissolvida pelas reencarnações sucessivas, onde os parceiros do ato sexual acabam, por vezes, comprometendo suas existências em prol de uma vida vazia ou repleta de atos condenáveis, que se desenvolveram em consequência da posse do(a) parceiro(a) que ainda gravitam nas esferas mais densas do orbe. Essa fase é transitória e caracteriza os mundos de expiação e provas, o que pode ser observado de forma bastante nítida nas reuniões de desobsessão, onde quase 50% dos irmãos atendidos estão padecendo da síndrome de posse ou desejo de posse de alguém, ou se ressentem da rejeição.

Com as existências se sucedendo, a amante carnal de ontem, torna-se a esposa de amanhã, filha e mãe. Na medida em que harmonizamos nossas vibrações com o progresso geral, nossas existências anteriores se descortinam em nossas mentes e passamos a compreender o sentido real dos valores e comportamentos. Aqueles que afinizam, se associam e progridem junto, como parceiros amados, que se completam e não exigem reconhecimento. Nossos desafetos por vezes são introduzidos nessa equação com as intensões de crescimento conjunto; tornam-se nossos filhos e outros parentes próximos.

Durante essa fase do processo evolutivo, a atração puramente física torna-se secundária e o homem passa a compreender a química da relação como sendo algo que transcende aos substantivos e adjetivos normalmente empregados para descrever as relações puramente sexuais. O conceito de amor, com todas as suas nuances de compartilhamento, co-participação, entrega e renúncia,  torna-se mais importante do que a posse transitória, efêmera. Passamos a entender que o amor transcende o ato sexual e a natureza perecível da matéria e reformulamos o nosso conceito de bem e mal.

Passamos a ponderar sobre o amor verdadeiro, divino, ilimitado e imponderável. Lembremo-nos de Jesus, que chamava o Criador, até então conhecido como o Senhor das Armas, Senhor dos Exércitos, Rei e outras denominações, de Pai. Nosso Pai amado, que nos ama infinitamente, como ilimitadas são todas as suas características.

Passamos a olhar os nossos filhos como parceiros que foram temporariamente colocados sob nossa responsabilidade com o objetivo de crescimento pessoal e coletivo e percebemos que eles são sócios em nossas existências e não propriedade de nosso coração ainda tão apegado ao mundo material.

A evolução irá nos conduzir aos pontos mais extremos do amor puro, reflexo daquele sentimento que o Pai tem por nós. Passaremos e sentir no ar a energia que sempre emanou Dele e não percebíamos até então. Veremos as provas desse amor incontido e imponderável no amanhecer e no ocaso dos nossos dias, nas diferentes esferas da vida. Veremos o princípio vital como expressão mais singela do amor divino e o espírito que nos habita como a manifestação mais pura do mesmo amor, daí dizermos que fora do amor de Deus nada existe.

Do amor que o Pai tem pelos muitos filhos, pródigos ou não, surge o sopro criador que modela o fluído cósmico universal, o éter, o nascimento dos universos infindáveis.

Assim, diante dessas palavras, que sugerem um contínuo processo de crescimento e aprendizado, como poderia eu levantar ideias vãs e preconcebidas a respeito da sexualidade de meus amigos encarnados. A sexualidade tem que ser mais bem estudada e, para tanto, deixemos os preconceitos de lado, junto do orgulho e do egoísmo, que nos atrapalham e cegam. Como o Mestre Jesus solicitava, não julguemos para não sermos julgados. Cada dia mais, os códigos morais irão se aproximar das leis divinas, mas esse processo é longo e teremos de vencer a animalidade que ainda nos governa. Como frisei algumas vezes, precisamos vencer a inércia e a nós mesmos.

O amor é a força criativa e a natureza mais íntima do ser. Suas manifestações através do sexo, da arte, das descobertas científicas e outras, são santas e benditas. Mas mesmo assim, sempre se aprimoram. Os desvios e desarmonias ligados a todos esses elementos necessitam de ponderação de caráter pessoal e não podem ser categorizadas de forma estanque em quadros preconcebidos ou estereotipados. A inversão sexual (nota do médium: inversão de gênero entre uma encarnação e outra; espírito com traços psicológicos masculinos reencarnado no corpo de mulher e espírito com traços predominantemente femininos reencarnado em corpo masculino)não pode ser responsabilizada por todos os desvios de comportamento sexual, uma vez que muitos são os casos em que o reencarnante apresenta absoluta e total sintonia com o corpo e gênero que ora habita, enquanto em outros poucos, a mente e o espírito apresentam características diametralmente opostas aos que o gênero do corpo físico determina, o que ilustra a importância do lado espiritual nesses casos.

A homossexualidade e todas as formas de exteriorização do impulso sexual nada têm a ver com a natureza do amor em si. Representam apenas a forma com que a consciência do indivíduo se apresenta naquele momento e pode sofrer influência do ambiente e de fatores aprendidos durante o seu desenvolvimento. Além da escolha pessoal, múltiplos fatores condicionam o desenvolvimento dessas características e muitos hoje recebem a missão, na Terra, de colaborar para minimizar o drama do preconceito frente a esses irmãos. De tudo que pode vir a ser reconhecido como “não natural” na homossexualidade, nada mais artificial do que o preconceito e a agressão a que esses amigos são continuamente expostos. Não gostaria que essas palavras viessem a ser interpretadas como um estímulo a essa condição, mas sim que despertem a compreensão de todos para um aspecto da vida que é complexo e que não pode ser respondido de forma simplista.

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