Psicografia: Deixemos o passado no passado.‏

Autor: IshmaelbenGurion
Médium: ElersonGaetti 

Quantas vezes olhamos para os céus e, em tom de indignação, perguntamos:

Por que? Que fiz para merecer isso?

Pegamos o rumo de nossa história e passamos a interpretar o papel de vítimas inocentes e isso nos causa estranheza. Diante da Lei de Ação e Reação não existem vítimas ou algozes, apenas elos de uma infinita sequência de causas e suas consequências. Somos vítimas sim, mas de nós mesmos.

Aqueles que nos cercam no trabalho, na vida religiosa, na família, por todos os lados, constituem sublime escola da tolerância, onde convivemos com nossos desafetos na esperança de aprendermos a aceitar e corrigir, a tolerar e auxiliar, ou são nossos professores que ali estão para passar o quinhão do seu saber, que pode variar de coisas aparentemente simples, do dia a dia, a conhecimentos profundos a respeito da intimidade da vida e das coisas. Porém, não se deixem enganar pelas aparências, o verdadeiro sábio pode ostentar as mãos do trabalhador braçal e o coração da mulher idosa, que outrora sorria ao olhar a prole numerosa e amada e hoje vê aproximar-se a noite na sua vida.

O sábio é aquele que aprendeu a escutar sem ter a necessidade premente de falar.

A humildade é a lição que abre o livro da vida e passamos tantas vezes por essas páginas que o texto quase se apagou sob nossos dedos ávidos, mas ainda toscos e insensíveis, e suas bordas estão carcomidas pelas mãos vacilantes que não escondem quantas vezes fizemos uso de tão santa mensagem, mas que tão pouco praticamos.

O tempo passa e continuamos a nossa eterna lamúria contra os eventos e fatos que nos causam desgosto ou que nos obrigam à reflexão, a que atribuímos todos os nossos infortúnios. Quando adquirimos o sagrado saber que nos mostra que somos os artífices do nosso futuro, que espelha o nosso passado, queremos logo remover as cortinas que nos separam de nossos dias pretéritos, mas mesmo nesses momentos o orgulho fala mais alto e muitas vezes nos sentimos maiores ao reconhecer que erramos, mas erramos “grande”. Temos orgulho do nosso erro e isso é patológico, enfermiço.

Tolos que somos!

Quanta tolice!

Feliz é aquele que renasce a cada dia e que olha para trás e nada vê, nada sente e, quando volta a olhar o amanhã, nada o oblitera. Santo não é aquele que não pecou, mas aquele que aprendeu com os seus erros e, dando sentido às suas existências, buscou o progresso infinito.

A nossa maior luta é travada contra nós mesmos, frente a frente, todos os dias.

Devo antecipar a todos os meus queridos que a maior decepção que senti ao adentrar a realidade maior foi comigo mesmo. Por falta de lucidez espiritual, errei e, por orgulho, me mantive no erro e, como aluno ruim, atribuí meu desempenho pífio aos meus professores, que eram todos os sofredores que haviam sido colocados à minha frente para que a primeira lição, a da humildade, fosse aprendida. Foi doloroso reconhecer que deveria ter entendido a lição que a muito custo estou aprendendo no momento em que essas linhas são redigidas.

O passado de cada um não está escondido, mas pulsa firme em cada um de nós. Saber o que fomos ou o que fizemos não acrescenta estímulo para mudar o que somos.

Não deixem o fio da história que estão escrevendo se perder em divagações infrutíferas e, acima de tudo, egoístas.

Se fostes um soldado, o que pode ser inferido pelas atitudes do presente, afaste-se do fuzil que outrora empunhastes contra teu irmão; levante seu companheiro ferido, à sua frente;

Se o livro da Lei esteve em suas mãos, passe a cumpri-lo com o coração limpo, dando mais valor aos atos do que às palavras frias e isoladas dos textos, sem procurar motivos para apontar os delitos alheios. Temos de vivenciar as leis divinas sem ostentação ou afetação, posto que as primeiras cadeiras na sinagoga ou nas igrejas do mundo não traduzem santidade, tampouco estão mais próximas do nosso Criador;

Se a medicina e as ciências falam com propriedade ao seu espírito aflito, compartilhe-as com seus irmãos, pois que a avareza intelectual é pior do que a material e lembre que o sábio é aquele que transforma o conhecimento em algo que pode ser colocado em prática por cada um, de forma peculiar e pessoal. O verdadeiro sábio é aquele que reconhece a grandeza de uma folha que se deita ao solo e a cálida brisa do ocaso.

Meu filho amado, a você em particular, siga por caminhos diferentes, mas sempre olhando para frente, porque para trás não terás retorno ou paz. Confia no seu verdadeiro Pai e Senhor e saiba que tudo que tens condições espirituais, morais ou intelectuais de saber, já o sabes com naturalidade. O esquecimento do passado apenas cria uma nova oportunidade de crescimento que nósdesperdiçamos quando perdemos o tempo precioso em busca do “mundo de outrora”.

Tudo que é feito com amor é aceito e bem vindo pelos companheiros que os envolvem em seus trabalhos espirituais e nas suas vidas pessoais e todos os encarnados têm esse precioso auxílio. Assim, cuidado com as imagens tolas, infantis e megalomaníacas que podem perturbar mais do que esclarecer. Em caso de dúvida pergunte:

̶Diante disso tudo, o que teria dito o nosso amado Mestre Jesus?

A salvação para o homem é o evangelho e tudo que temos a fazer é procurar coloca-lo em prática.

Deixemos o passado no passado.

Segunda mensagem psicográfica sobre o tema (Autoria: Joseph Gleber; data: 30 de outubro de 2012)

Repetir e repetir, eis o maior fardo que a humanidade carrega em sua jornada em círculos. Esses ciclos que se repetem não ocorrem apenas no âmbito coletivo, mas no seio pessoal e familiar também. Ao invés de nos livrarmos de nossas imperfeições através de ponderações sobre o que nos envolve, aperfeiçoamos a nossa capacidade de errar e persistir no erro. O pior, continuamos sentindo orgulho disso? – como colocou nosso companheiro há pouco.

Infelizmente, sim.

Meus irmãos, muitas vezes nos perguntamos porque os desencarnados que já abandonaram a revolta, mas que ainda não conquistaram a luz, usam as mesmas expressões e traduzem quase sempre os mesmos desejos  e devo confessar que isso se dá pela visão expandida que a perda do veículo físico nos permite. Com o tempo verificamos que todos aqueles que estão ao nosso lado são verdadeiros companheiros de jornada e padecem das mesmas dores e possuem ideais próprios, histórias pessoais que o tempo não apaga, mas que a misericórdia divina embaça em nossas mentes ainda desarmônicas e ainda confusas.

Muitos estudiosos, aí e aqui, se questionam o que é o tempo e porque ele é tão homogêneo e como flui, mas hoje eu acredito que não é o tempo que passa, mas, na prática, nós é que passamos por ele. Isso dita o sentido que o percebemos, mantém a integridade da Lei de Ação e Reação.

O universo é mantido pela harmonia em meio ao caos aparente, em escalas muito que o homem terreno, encarnado ou não, não consegue inferir ou sequer imaginar. O braço temporal é um de seus sustentáculos e induz a manutenção da ordem estabelecida, determinando um sentido às nossas múltiplas existências.

Quando fascinados pelo passado, nos comportamos como o pequeno cão que se alegra em correr eternamente atrás de sua cauda, tentando alcançá-la; quanto mais corre, mais rápido sua cauda dele se afasta. Até quando iremos nos satisfazer ou alegrar com essa condição?

A vida mostra seguidamente o que fomos e o evangelho nos apresenta o que deveríamos ser. Isso é simples e pode ser entendido de forma literal e cristalina.

Aqueles que necessitam de esclarecimentos adicionais sobre seus dias passados irão receber o que lhes for mais útil na forma de intuições, sonhos ou orientação espiritual direta ou indireta. Não gastem suas possibilidades de crescimento em meio de tantas aflições e angustias que residem dentro dessa caixa de Pandora.

Não é o conhecimento do passado que nos faz viver em harmonia com o mesmo, mas sim a vontade férrea de superar as próprias limitações. Em anos recentes, as coletividades humanas têm se aproximado de um estilo de vida que não é condizente com a sobrevivência da sociedade. Os desafios gigantescos, verdadeiramente ciclópicos, aliados à uma velocidade de transformação que faz com que nada se perenize, estão empurrando-nos para práticas exóticas no campo da espiritualidade. Perdemos o respeito por nós mesmos e pelos outros.

A tão propalada terapia de vidas passadas é um exemplo desse fenômeno. Devo confessar que mais de 90% das recordações de um suposto pretérito que se descortina nas sessões de hipnose são falsas. Quase sempre a criatura, infeliz com o seu “hoje”, projeta, no passado, pseudolembranças para satisfazer seu ego ou justificar seus erros. Cria-se mentalmente um erro para justificar outro. Analisem por vocês mesmos.

O conhecimento do passado, em seus mínimos detalhes, encontra-se devidamente registrado nos nossos corpos espirituais superiores, dos quais meus irmãos possuem apenas noções. Esses arquivos são liberados quando não mais produzem desarmonias pungentes e esse processo é natural, sem dores ou angústias.

Na nossa condição evolutiva, o reencontro com o passado real somente deve ser buscado com o auxílio da espiritualidade amiga e sempre seguindo o caminho do bom senso. Muitos acham que os guias espirituais têm o direito de permitir isso ou aquilo, o que não é real. São homens e como tal apenas aquilo que lhes é pessoal depende de sua aprovação, não são senhores de seus tutelados, de seus pupilos encarnados ou desencarnados, mas podem e devem orientar quanto às solicitações de informações quanto ao caminho a seguir. Eles não podem ser convertidos em justificativas para nossos erros. Quantas vezes os médiuns colocam na “boca” de seus guias palavras que eles nunca proferiram e que seus interlocutores encarnados estavam desejosos de fazê-lo, mas que não tinham coragem? Isso ocorre muitas vezes.

Temos de ser francos e diretos. Saber como e quando falar sim ou não, por nós mesmos.

As terapias que envolvem regressão são indicadas para menos de 10% daqueles que sobrevêm com problemas psicológicos graves. Apenas aqueles que carregam a lucidez na alma poderão ficar frente a frente com o “ontem” e, a partir daí, mudar os rumos de sua existência atual. A maioria absoluta da população ainda dorme acordada e vive o mundo dos sonhos, criando todo tipo de “imagem de reencarnações pretéritas” como forma de preencher as vazios de suas vidas atuais. Nesses casos, esses irmãos possuem melhoras da sintomatologia de seus males físicos e psicológicos, mesmo sem a remoção da causa,, e pensam “bem que eu sabia que eu e fulano ou sicrano fomos isso ou aquilo”, para justificar os problemas de relacionamento presentes. Seria muito mais produtivo se educassem os seus sentimentos e emoções.

Apenas acordando para a realidade é que conheceremos o caminho correto a ser trilhado. Meus irmãos já se perguntaram por que os Umbrais são taão profundamente carregados de dor? Sabem a origem do choro e do ranger de dentes aos quais se referiu Jesus?

A origem é uma só: remorso, sentimento de culpa.

É isso que nos aguarda na análise do passado sem o devido preparo e orientação. Por esses e outros motivos é que, mesmo quando insistimos em vasculhar nossos arquivos históricos na alma, somos assistidos por irmãos do Alto, que limitam as nossas incursões, disciplinam as nossas invencionices e protegem da curiosidade vã o que não estamos preparados para saber.

Conforme palavras pronunciadas recentemente por uma jovem encarnada que participa de nosso grupo de trabalhos espirituais , deixem o passado no passado e caminhem para o futuro, certos de contar com a proteção divina em tudo que vier a colaborar para o crescimento coletivo e pessoal.

Joseph.

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2 respostas para Psicografia: Deixemos o passado no passado.‏

  1. Sabrina disse:

    Psicografia maravilhosa! Realmente… Percebemos que temos que ir com calma, preparando a nós mesmos se queremos saber sobre o passado, às vezes, mesmo sabendo que o mais importante para nosso desenvolvimento e crescimento que importa agora, seja o presente… Pois, é no presente que temos a oportunidade de renovar nossas ações e pensamentos, para obter rumos diferentes e consequências melhores no futuro.

  2. alvaro kinashi disse:

    Lendo o ensinamento, a gente se convence que o passado não é solução para o futuro …
    Entretanto, a nossa cultura (como humanos, encarnados), funda-se primordialmente nos estudos (escolas regulares, faculdades, cursos os mais variados), na experiência pessoal (em trabalhos, estágios, palestras), sempre na leitura …
    Daí, mudar drasticamente a forma de se viver, acredito não ser tão fácil à primeira vista, notadamente aos mais leigos na doutrina, sendo necessário, acredito, uma exploração e divulgação muito maior e eficaz pelos palestrantes e orientadores a fim de que o dia-a-dia do espírita amolde-se paulatinamente a esse ensinamento.
    Não só pela dificuldade em combater a prática de que a regressão mostra os fundamentos de tantas situações especiais como doenças, atritos entre familiares, etc., esse ensinamento está demais profundo para se exigir entendimento e sobretudo cumprimento, tão só pela leitura da psicografia.
    Num primeiro momento o paradoxo entre as condutas, melhor explicando, condutas antagônicas, como contar com o passado para enfrentar o cotidiano, e, esquecê-lo quando pensarmos em espiritualidade, causará com certeza alguma relutância nas atitudes.
    A minha observação é porque a psicografia traz a confiança na proteção divina para o crescimento coletivo e pessoal (último parágrafo). Há que se lembrar que entre os espíritas, há uma parcela daqueles que fazem confusão entre os ensinamentos religiosos, de seitas, etc., e não podemos “cair” numa situação de não precisar estudar, em analogia àqueles que não doam sangue …

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