Um hospital chamado Terra

O grande objetivo da vida de cada um de nós é o crescimento de nossas capacidades e o amadurecimento de nossos sentimentos. Em suma, evolução, independentemente do nome que damos a ela.

Muitos pensam que o processo de forja do homem se dá apenas nos breves momentos em que ele se encontra imerso em um corpo físico, mas isso não é real. Dentro ou fora desse invólucro, a evolução não para e a experiências se sucedem continuamente.

Embora possamos dizer que no plano físico, reduzindo as potencialidades de percepção e limitando a capacidade de compreensão, o crescimento é maior, mais pungente, agudo e dramático, uma vez que temos de superar a nós mesmos nesse processo santo, divino. Contudo, preciso que vocês atentem para algo muito importante: viver não é sofrer e sofrer não é sinônimo de crescimento. O sofrimento somente auxilia no desenvolvimento do homem novo se aprendemos com ele, mas ele não traz nada de bom em si mesmo, até porque geralmente ele advém de nossa incapacidade de mudar ou de aceitar o novo diante dos erros que já cometemos.

Na condição de crianças espirituais, somos alvo de toda a atenção e carinho por parte daqueles que assistem o homem no mundo. Ainda ficamos doentes quando trocamos nossos invólucros inferiores, ainda nos revoltamos quando temos de encarar nossas próprias limitações e mazelas. Fazemos todo tipo de revolta para fugir das necessidades e imperativos de mudança.

Quando deixamos o berço e iniciamos a trilha pelo plano físico, um rastro de nossas atitudes egoístas e ególatras pode ser seguido. Até nos momentos em que nossa alma recebe o lenitivo da palavra do Cristo, por vezes escolhemos o que iremos aceitar e seguir e o que deverá ser deixado para depois. Isso ocorre principalmente entre os muitos que se dizem sacerdotes e missionários.

Pensem um pouco e verão que não temos esse direito.

O Nazareno trouxe a palavra divina até seus irmãos terrenos de uma forma que nunca poderíamos ignorar: o exemplo pessoal. Não foram palavras jogadas ao vento, tampouco discursos sobre virtudes, destituídos de razão ou que inflamavam o homem contra o mundo de orgulho e falsa honra que se insinuava por todos os lados. Ele, o Cristo, deu vida nova aos profetas e sentido de coesão ao decálogo. Pedia apenas para amarmos ao Pai acima de tudo e a nós mesmos, cada um segundo as nossas possibilidades pessoais.

O amor imuniza e protege. Ele, Nosso Senhor, sabia de nossas fraquezas e procurou nos preparar para a superação das maiores dificuldades que enfrentaríamos: nosso orgulho.

O amor que emana de Deus é a razão de tudo; sem Ele a Terra sequer existiria, uma vez que ela é a materialização do amor de nosso Criador; sem o amor fraterno, nosso mundo se converteria em uma única e extensa planície umbralina. Por que digo isso?

Logo perceberão, mas espero que isso se dê ainda no curso dessa existência de meus queridos amigos.

Ao longo de milhares de anos, em estado quase permanente de guerra e exploração, os homens converteram o seu pequeno mundo em um gigantesco hospital.

Temos apenas dois tipos de irmãos nessa unidade hospitalar: os que ajudam e os que necessitam de auxílio. Pelo tempo em que servimos, aprendemos e nos preparamos para novos desafios e assim mesmo, na adversidade, o hospital também cumpre o papel de escola.

Meus filhos, é imprescindível que todos tenham  consciência da importância que a vida deve ter, aprendendo a reconhecer seus limites e deficiências para trabalhar essas características, para o crescimento. Dessa forma se libertarão da necessidade de internação compulsória nas muitas casas de auxílio no plano físico e entre nós.

Como é maravilhoso acompanhar o retorno de nossos queridos através do santuário do ventre materno; mas como dói na alma ter que trata-los diante de tantas feridas abertas pela imprevidência e desleixo, perdendo oportunidade de ouro no tratamento dos verdadeiros males que assaltam o homem: o orgulho, a vaidade, ignorância, egoísmo e cólera. Eles abrem feridas profundas no perispírito daqueles que desencarnaram na indiferença e na revolta contra as leis divinas.

Por esses motivos, as colônias espirituais, independentemente da inclinação religiosa da maioria de seus habitantes, mantêm numerosas atividades junto à crosta, ao lado dos muitos bilhões de seres encarnados e desencarnados que perambulam sem parar pelas ruas de vossas cidades. Auxiliam a concretização da programação reencarnatória de meus queridos, prestam socorro em casos de doenças físicas e do perispírito, aliviam as dores e sofrimentos cármicos segundo o merecimento de cada um, atuam na libertação de irmãos que padecem de obsessões sérias, orientam pupilos e valorizam casa segundo de trabalho junto ao homem, mas é esse último que normalmente não faz a sua parte, colhendo, como fruto, o remorso e a culpa.

Doentes, os filhos de Deus adentram a vida maior precisando de amparo e sustentação afetiva. Choram sem motivo aparente, sem saber os “porquês” de suas dores, mas no fundo, bem lá no fundo mesmo, todos nós sabemos as origens de nossas angústias e aflições.

Teremos coragem de admitir que somos os maiores artífices de nossos infortúnios? Espero que sim, posto ser esse o início da nossa redenção. Digo isso sem intenção de provocar tristeza em vocês, pelo contrário, o autoconhecimento é sucedido por alegria indescritível, de vencedores.

Para aqueles que veem a vida como um desfile de prazeres e alegria sem necessidade de prestar contas de tudo, gostaria de dizer que a indiferença é uma das principais causas da indigência que abraça a maioria daqueles que recebemos no plano de vida em que nos encontramos.

Vocês leem diariamente as descrições mais contundentes sobre o umbral e as regiões abissais, onde o choro, a fome, o frio, dor, agressões físicas e morais… e muita solidão, para que reflitamos sobre nossa experiência de vida. E…

Não mudam.

Os pais encarnado, em muitos momentos, esquecem-se da maternidade e paternidade, vindo a solicitar a misericórdia do Pai, após o desenlace do corpo. Não cuidaram dos filhinhos amados que solicitaram e agora imploram auxílio. Antigos companheiros que vêm cobrar suas dívidas batem à porta, nos atormentando e, para nos livrarmos deles, elevamos as nossas súplicas aos céus, pedindo perdão, mas aos nossos devedores demos a marca do ferro em brasa…

Pedimos que Deus, nosso Pai amoroso, nos proteja do mal, mas quem nos protegerá de nós mesmos, uma vez que somos a principal fonte de infortúnios para os demais filhos do Criador. Será que merecemos tanta compaixão?

No momento em que essas linhas são rabiscadas, tenho apenas um pedido a ser feito ao Pai… Nesse dia, véspera de mais um Natal, quando lembramos do nascimento do homem manso que caminhou pelas vielas de Cafarnaum, Betsaida, Nazaré, Jerusalém e pelo vale do Jordão,  solicito trabalho, muito trabalho, para não me dar tempo de errar mais. Como espírito falido, não quero facilidades, mas aproveitar as muitas oportunidades que nos são oferecidas a todo momento, sob as mais diversas roupagens.

Trabalhem pelo autoconhecimento e lembrem-se que aquele que faz por melhorar não abre a caixa de Pandora, cheia de remorso e culpa, e sempre será assistido por aqueles que velam pela humanidade.

Por fim, perdoem esse velho sacerdote que pouco tem a falar ou ensinar, mas escutem as palavras do Cordeiro de Deus, que veio ao mundo para nos trazer o sentido maior da vida, o amor. Para tomarmos posse desse profundo conhecimento, precisamos nos tornar senhores de nossos atos e pensamentos.

Sem desculpas, aprenderemos a não errar mais e o significado da palavra “doença” deixará o nosso dicionário.

Que a paz divina esteja com cada um e todos vocês.

Médium: Elerson Gaetti
Autor: Frei Tomás
Data: 24 de dezembro de 2012

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