NOVA ERA PARA O MUNDO

Charles Kempf, da França, secretário-geral interino do Conselho Espírita Internacional (CEI), discorre sobre este órgão e os preparativos para o 7o Congresso Espírita Mundial, em Havana (Cuba), e cita a afirmação de Kardec de que o Espiritismo terá “lugar entre os conhecimentos humanos”

Reformador: Como você avalia os 20 anos de existência do Conselho Espírita Internacional?

Charles: O Conselho Espírita Internacional foi fundado, em 28 de novembro de 1992, por representantes de nove países, numa reunião em Madrid, Espanha, depois de contatos prévios, incluindo reunião em um Congresso Espírita, em São Paulo, em 1989, e num outro, em Liège, Bélgica, em outubro de 1990. A Instituição completou 20 anos de existência no ano passado. Os trabalhos preparatórios, realizados por uma comissão de representantes de vários países, permitiram definir bases sólidas e objetivos claros para a Instituição:
I – promover a união solidária e fraterna das Instituições Espíritas de todos os países e a Unificação do Movimento Espírita Mundial;
II  – promover o estudo e a difusão da Doutrina Espírita, no mundo, em seus três aspectos básicos: científico,filosófico e religioso;
III – promover a prática da caridade espiritual, moral e material à luz da Doutrina Espírita”. Como se pode ver, esses objetivos são semelhantes aos objetivos das Entidades Federativas nacionais, mas o âmbito é mundial. Apesar das dificuldades naturais, em razão da diversidade de culturas pelo mundo, o CEI conseguiu levar à frente, nestes 20 anos de existência, vários programas de acordo com esses objetivos e atividades prioritárias, e conta hoje com 35 países-membros. Outros países já se manifestaram para se unir ao CEI na sua próxima Assembleia Geral que ocorrerá em Havana, Cuba, em seguida ao 7o Congresso Espírita Mundial.


Reformador: Como tem se expandido a divulgação pelos livros?

Charles: A divulgação pelos livros é uma das atividades prioritárias, de acordo com uma comunicação espiritual, afirmando que na Terra muitas pessoas já estão prontas para acolher e aceitar a Doutrina Espírita, mas a Doutrina ainda não chegou até eles. O CEI começou com uma edição comemorativa de Le livre des esprits por ocasião do bicentenário do nascimento de Allan Kardec e do 4o Congresso Espírita Mundial, em Paris.No ano seguinte, o CEI editou as cinco primeiras traduções de livros de Chico Xavier para o idioma francês. Daí por diante, o trabalho se multiplicou bastante, o CEI organizou uma editora – a Edicei –, que conta hoje com mais de 200 títulos, em vários idiomas, como: francês, inglês, alemão, português, espanhol, russo, sueco, húngaro, polonês, finlandês, estoniano, grego, e tem projetos para o árabe e chinês. Esse trabalho é imenso, envolve altos custos, mas é necessário, como se pode constatar, pois está dando frutos com o aumento da demanda. Os livros da Edicei estão disponíveis no formato eletrônico em várias plataformas mundiais de venda de e-books, incluindo a Amazon e a Apple Store.

Reformador: A Internet tem facilitado a difusão do Espiritismo?

Charles: A Internet se tornou um canal essencial para a difusão do Espiritismo e o crescimento do Movimento Espírita, atingindo grande quantidade de internautas e também as pessoas isoladas no mundo, em países onde a Doutrina não tem, no momento, outro meio para ser difundida. Muitos livros e revistas espíritas, de direito livre estão disponíveis on-line, incluindo as obras de Allan Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne, no idioma francês (acessem: a target=”_blank” href=”http://www.spiritisme.net/”>www.spiritisme.net>). A página eletrônica do CEI a href=”http://www.intercei.com/” target=”_blank”>www.intercei.com> está sendo reformulada para uma plataforma multilíngue,necessária para atender à difusão do Espiritismo em nível mundial.A Internet também permite, hoje em dia e a custo muito baixo, realizar cursos, seminários e reuniões de trabalho on-line, facilitando os contatos e reduzindo as despesas e o tempo de viagens. Outro exemplo é a TVCEI, que começou como Web-TV com canais em vários idiomas, inclusive permitindo transmissão de eventos ao vivo, e que hoje alargou a difusão utilizando satélites que abrangem a América Latina.

Reformador: As experiências e programas devem ser copiados ou adequados?

Charles: De acordo com o Estatuto e os princípios do trabalho de unificação, todo e qualquer programa e material de apoio, oferecidos pelo CEI, não terão aplicação obrigatória, ficando a critério das Entidades Nacionais adotá-los ou não, parcial ou totalmente, ou adaptá-los às suas próprias necessidades ou conveniências. Este ponto é fundamental, principalmente quando se opera no âmbito internacional, em virtude da grande diversidade de culturas. Allan Kardec, quando frequentou a escola de Pestalozzi,muito famosa na Europa à época, esteve em contato desde jovem com muitos amigos de outras línguas, religiões, culturas. Este fato o ajudou muito na tarefa que ia desenvolver mais tarde, dando às obras da Codificação uma forma adaptada para várias culturas, o que se confirma hoje com o sucesso de suas obras traduzidas para diversas línguas e junto a pessoas de diferentes culturas. Mas, com relação aos programas e materiais elaborados em determinados países, é preciso adaptá-los, principalmente na sua forma, para atender às especificidades locais nos outros países: caso contrário, a difusão pode ficar prejudicada. O mesmo se dá com as palestras, nas quais é preferível o uso da língua nativa dos assistentes, assim como o palestrante precisa ter experiência e sensibilidade para se adaptar à cultura local, como é o caso das palestras em espanhol proferidas por Divaldo Pereira Franco.

Reformador: Você tem conhecimento de grupos ou pessoas que estudam o Espiritismo na África, além dos países de idioma português?

Charles: A Doutrina Espírita está se espalhando pouco a pouco pela África, onde encontra boa receptividade na cultura local. Há alguns espíritas na África do Norte, dominada pela religião islâmica, como no Marrocos (vejam: a target=”_blank” href=”http://www.groupe-el-houda.org/”>www.groupe-el-houda.org/>); na África Central, de idioma francês e inglês (República Democrática do Congo e Quênia) e na África do Sul, além de Angola, já membro do CEI, e Moçambique, que se prepara para se integrar ao CEI, que acompanha este desenvolvimento e vai ajudando na medida do possível, visto que as carências são grandes em muitos países daquele Continente.

Reformador: Como você analisa o revigoramento do Espiritismo em Cuba, que agora sedia um Congresso Mundial?

Charles: O Espiritismo existiu em Cuba desde os primórdios do Movimento Espírita.Kardec já tinha correspondentes naquele país, e representantes de Cuba visitaram a Europa e participaram dos congressos espíritas: de 1888, em Barcelona; e de 1889, em Paris. De fato, parece que o Movimento começou forte em Cuba e continuou se desenvolvendo continuamente pelo tempo.Nas últimas décadas, devido a certo isolamento, houve poucas informações sobre o Movimento Espírita cubano, mas hoje constatou-se que existem cerca de 600 grupos, genuinamente espíritas, oficialmente cadastrados e reconhecidos pelo Governo, a maioria na parte oriental da Ilha.Assim,Cuba é hoje o segundo país no mundo com maior número de grupos espíritas, depois do Brasil. O CEI já vem acompanhando o Movimento cubano, e hoje Cuba é um país representado no CEI. Os contatos são mantidos pelo Coordenador do CEI para a América Central e Caribe, Edwin Bravo. Além de visitas regulares, o CEI participou de um primeiro Encontro Espírita Cubano e de congressos nacionais, entre os anos 2008 e 2011.Nessas ocasiões, representantes do Ministério das Religiões têm afirmado que o Governo cubano apoia o Movimento Espírita, principalmente pelo fato de que a Doutrina Espírita recomenda a paz e a caridade. Esta situação favorável permitiu que o Movimento cubano fosse escolhido para sediar o 7o Congresso Espírita Mundial, que ocorrerá em Havana, de 22 a 24 de abril de 2013. As informações podem ser obtidas nas páginas eletrônicas: a href=”http://www.7cem.org/” target=”_blank”>www.7cem.org>; a href=”http://congressoespirita.com.br/” target=”_blank”>http://congressoespirita.com.br/>.


Página eletrônica em árabe

Reformador: Quais são suas expectativas para o Espiritismo no mundo?

Charles: À questão 798 de O livro dos espíritos: “O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?”, os Espíritos da Codificação responderam: “Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na Natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos”. Porém, advertiram também que: “Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra a convicção […]”. E Kardec comenta: “As ideias só com o tempo se transformam; nunca de súbito. De geração em geração, elas se enfraquecem e acabam por desaparecer, paulatinamente, com os que as professavam […]”. É exatamente isso que observamos pelo mundo hoje em dia: as ideias espíritas progridem, apesar das lutas dos opositores, encarnados e desencarnados. Pouco a pouco, a crença na existência do Espírito, na sua sobrevivência após a morte do corpo físico, na comunicabilidade entre encarnados e desencarnados se tornam mais e mais aceitas pela população, diante dos fenômenos espíritas, constituindo uma formidável convergência de provas. Há muito a fazer, a tarefa nos parece às vezes além das nossas possibilidades, mas a Espiritualidade superior assegura apoio constante aos trabalhadores encarnados que se empenham, humildemente, com boa vontade, com amor e caridade, unindo-se a outros trabalhadores, para implantar a Doutrina consoladora pelo mundo. O Movimento Espírita brasileiro e o CEI têm papel importante nesse sentido, pelo apoio que prestam aos movimentos nascentes nos outros países, pela literatura espírita e pelo material didático que colocam à disposição dos trabalhadores de outros países, facilitando o trabalho de adaptação necessária diante das diversas realidades de cada local.

Fonte: Portal Feb

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