Os Super Médiuns

Alamar Régis Carvalho

O Espiritismo é maravilhoso, ele é ético, sensato, coerente, racional e é uma boa proposta para pessoas que raciocinam. Todavia há muita gente que resolveu resumi-lo a uma simples religião, emprestando-lhe todas as características normalmente encontradas nas religiões tradicionais, ou seja: obrigações, proibições, rituais, censuras, hierarquias, subserviência a encarnados e a desencarnados, equívocos na concepção do que seja de fato moralidade e também fanatismos.

Um espírita excessivamente empolgado, sem uma forte base doutrinária, ou melhor, conhecedor do que realmente propõe a doutrina, chega a ser tão chato e inconveniente como aqueles crentes que em plena hora de almoço, ao meio dia, toca a campainha da nossa casa e praticamente impõem que os atendamos.Já sei que espíritas chatos vão, mais uma vez, baixar-me o sarrafo por utilizar aqui a indispensável sinceridade e transparência que devemos ter para com as pessoas, mas não posso trair a minha consciência porque não quero estar inserido no universo da ridicularidade.

A grande verdade é que existe muito espírita bobo por aí, inclusive muitos dirigentes de centros. E muita gente, que chega agora ao movimento espírita, na expectativa de encontrar no Espiritismo alguma resposta que nunca teve na sua andança pelas igrejas, termina se decepcionando com o que vê, tendo frustrações que nem a amizade que nutre por espíritas sérios consegue demover.

Porque escrevo para muita gente do universo chamado leigo, ou seja, aquele constituído por pessoas de diversas religiões, é muito comum, por curiosidade, alguém que recebe um artigo meu, repassado por algum amigo comum, consultar o site www.redevisao.net para saber maiores informações sobre esse tal Alamar, que assinou a matéria que chegou ao seu computador, quando, de repente… “Ih, o cara é espírita!!! É envolvido com Espiritismo!!!”.

A grande maioria procura conversar sobre o assunto, muitos falam de algumas “coisas” que vêem mas não sabem por que vêem, “a minha mãe sente isto”, “o meu marido vê aquilo”, “A minha sogra escuta”…

Terminam chegando a um centro espírita. Eu sempre indico a procura por um centro, além do indispensável encaminhamento ao estudo (não apenas leitura) das obras básicas, na sua seqüência que todos nós espíritas conhecemos.

Semanas ou meses depois, volta a mesma pessoa ao Alamar, pelo e-mail, MSN ou outro meio de comunicação a questionar, com muito jeitinho para não praticar indelicadeza com o amigo, relatando dúvidas acerca das suas primeiras convivências que o Espiritismo.

– “Sabe, Alamar, eu conheci a dona Fulana de Tal, lá no centro, e toda vez que eu chego lá ela me diz que está vendo isto, está vendo aquilo, está vendo o meu marido, que já morreu, ao meu lado, está sentindo isto…”

E nessa onda encontramos muitos espíritas “trabalhadores” deitando e rolando na inexperiência dos outros, proveniente do conhecimento da doutrina, nem sempre no interesse do cobrarem diretamente algum valor financeiro mas, certamente, com algum interesse que nem sempre corresponde à ética que o Espiritismo propõe.

E haja chutes, na necessidade que se acham de convencerem os outros de que “sou médium!!!”. Só faltam usar crachá de médium.
Tem casos de médiuns que vão logo dizendo que está vendo o avô da pessoa ao seu lado, que ele está bem e que está lhe protegendo, quando a pessoa termina por ter que dizer:

– “A senhora me desculpe, mas os meus dois avôs, o paterno e o materno, ainda são vivos”.

E por aí vai.

Quero aqui, com este artigo, orientar e informar às pessoas que estão chegando agora ao Espiritismo, bem como a várias outras que já estão há algum tempo, mas não entenderam bem a proposta da doutrina, algumas coisas:

Primeiro: O Espiritismo não é doutrina do “porque sim” e nem do “porque não”. Isto quer dizer que você não é obrigado a ficar calado, aceitando tudo o que tentam lhe empurrar. Nada de ter que aceitar isto ou aquilo só porque determinada pessoa afirma que “é assim, tem que ser assim e você não pode questionar”. Muito pelo contrário, em Espiritismo você tem que questionar, sim, e estar ciente de que todo espírita que foge de questionamentos dos outros, invariavelmente é um despreparado porque não tem condições básicas de sustentar um diálogo com alguém que pensa.

Doutrina do “porque sim” e do “porque não” é a doutrina católica e outras inúmeras por aí.

Segundo: Não existe nenhum super-médium com capacidade para estar vendo o tempo todo parentes desencarnados de todos os freqüentadores dos centros, a ponto de ficar dizendo que vê e que sente a todo momento. Na maioria dos casos você pode ter certeza de uma coisa: é exibicionismo, é palhaçada de alguns que se dizem videntes quando, na realidade, estão sempre querendo se colocar em evidência.

Uma amostra disto você verá em determinadas reuniões mediúnicas quando o médium A ou B começa a se estribuchar todo, sacudindo a cabeça e os braços, fungando, dando murros na mesa, quando mulheres de cabelos longos, balançam bem a cabeça para fazerem os cabelos irem pra frente e pra trás… enfim, o que querem é chamar a atenção.

Cuidado. Fungados e saculejos não significam autenticidade mediúnica e sim desequilíbrio e perturbação.

Existe possibilidade, sim, de um ou outro médium ter uma mediunidade mais apurada e até poder ver um ou outro espírito desencarnado acompanhando uma pessoa encarnada. Só que, quando este é realmente equilibrado e tem consciência do seu papel, como médium espírita, jamais fica se colocando em evidência, na necessidade de ter que dizer para a pessoa que está vendo fulano ou fulana.
São médiuns que fazem da casa espírita uma casa de sensatez e não necessariamente um picadeiro de circo.

Um dos grandes problemas que acontecem neste campo que estou denunciando, é a irresponsabilidade de alguns que, talvez para terem o freqüentador da casa nas suas mãos, insinuam algum possível perigo que a pessoa pode estar correndo, para deixá-la com medo, receio ou dúvida; daí ficarem com ela sob o seu domínio:

– “Olha. Eu estou vendo ao seu lado uma entidade que está pedindo para você ter muito cuidado, viu?”

O diabo é que esses infelizes, propositalmente, não dizem que cuidado é esse que a pessoa deve ter, cuidado com quê.

Aí fica a dúvida e o medo na cabeça da maioria das pessoas, já que invariavelmente essa maioria que chega à casa espírita é porque está enfrentando algum problema.

É um Deus nos acuda!!!

Se a pessoa, por exemplo, tiver com alguma gastrite ou indisposição estomacal, vai logo imaginar que o médium está vendo algum câncer nela, sem querer dizer, e vai ficar apavorada.

Se teve algum problema com alguém que, talvez lhe tenha feito alguma ameaça, poderá começar a achar que poderá ser assassinado por esse alguém.

E haja noites em claro, insônias, preocupações, gente a recorrer ao diazepan, valium, somalium e outros, inclusive desequilíbrios dentro de casa, a ponto de agredir todo mundo, perturbado que ficou com o medo que lhe foi plantado por um irresponsável.

Este assunto renderia um artigo enorme e e não quero, aqui, falar de todos e nem de muitos casos que podem acontecer em relação a isto.

O que quero alertar é o seguinte:

Cuidado com os tais super-médiuns que existem por aí. Nem todas as pessoas que você vê trabalhando, ou “trabalhando”, em um centro espírita necessariamente é médium. Tem centro espírita onde até a cantineira se acha no direito de dar diagnósticos espirituais para freqüentadores da casa.

Médium equilibrado e responsável, nenhum, amedronta ninguém e nem pronuncia frases vagas para lhe deixar perturbado, sem saber o que ele quer dizer com aquilo. Os espíritos bons não permitem que ele faça isto e nem o conhecimento que ele realmente tem deixa que ele faça brincadeiras de tamanho mau gosto.

Quando espíritos, verdadeiramente bons e evoluídos, detectam algum problema numa pessoa, jamais eles se utilizam da boca de qualquer médium para dizer, porque sabem do despreparo de todos nós em relação a notícias sobre doenças, sobretudo em nós mesmos. Eles tomam as providências de cura, silenciosamente, sem que nem saibamos que fomos tratados e curados, quando merecemos a cura, ou, se for um problema cármico, eles deixam que a coisa prossiga conforme o que está programado.

Portanto, estejamos todos preparados, dentro de um centro espírita, para convivermos com a casa e com aqueles que estão lá, inclusive com os seus dirigentes que nem sempre expressam o equilíbrio e os bons qualitativos da Doutrina Espírita.

Recomendo o ESTUDO criterioso, atencioso e bem RACIONAL das obras básicas do Espiritismo, com outra dica, que eu acho fundamental para as pessoas mais exigentes e mais preocupadas com fidelidade: É sempre bom ter mais de uma tradução das obras básicas em casa, principalmente de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Se possível todas que existem disponíveis. Eu sei porque estou recomendando isto.

A melhor garantia que temos para estarmos bem acompanhados por espíritos bons, espíritos que nos ajudam a livrar dos males, espíritos que podem nos curar é o nosso BOM PROCEDER.

E este bom proceder não é aquele que atende apenas as conveniências e etiquetas sociais e religiosas, é aquele que se enquadra dentro da VERDADEIRA E AUTÊNTICA MORAL, que é aquele: “Faça ao seu próximo aquilo que você gostaria que os outros lhe fizessem” e também “não faça a ninguém o que você não quer que façam contigo”.

Artigo reproduzido com autorização do autor
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