Pena de morte: Sim ou não? Qual a visão espírita sobre este tema?

Por esses dias, venho me deparando com variadas questões relacionadas à pena de morte. Deve haver pena de morte em nosso país? As pessoas que cometem crimes absurdos devem pagar com sua própria vida sobre um ato sombrio?

O que a doutrina Espírita nos diz sobre isso?

A Doutrina Espírita (com base na Filosofia, na Ciência e na Moral Religiosa) ensina que o corpo é passageiro, mas a alma é eterna. Quando fora do corpo, a alma chama-se Espírito. O corpo humano, na Terra, é instrumento de aprendizado, com expiações e provas para o progresso do Espírito, que é o seu elemento nobre, pois todo conhecimento se manifesta por intermédio dele (Espírito), que se dá pelos pensamentos, palavras e atos conscientes e voluntários do ser humano. Um pouco de ponderação e persistência fará com que cada pessoa, mesmo a mais descrente, descubra esta realidade.

Não se pode, ou melhor, não se deve fechar a porta ao arrependimento do criminoso, cortando-lhe a oportunidade de passar pelas provas e expiações naturais desta vida, mas sim, procurar-se auxiliar o Plano Espiritual Superior em fazê-lo, mesmo vagarosamente, progredir, pois o Espírito atrasado, em relação à descoberta do amor fraterno, acha-se enfermo e precisa do tempo necessário à sua cura, nesta ou noutras existências.

Assim, há duas razões fundamentais contrárias à pena de morte:

A primeira é de ordem religiosa ou espiritual, pois não parece coerente com os ensinamentos cristãos, ou com os que se dizem tementes a Deus, julgar, utilizando-se de forma pura e simples o jargão: quem com o ferro que fere, será ferido. Quem somos nós, para julgar, ou mesmo para retirar a vida de um irmão nosso? Com tal ato estaríamos cometendo o mesmo crime que ele, diante de nosso Pai. Lembre-se do ensinamento do Cristo: “não matarás”.

A segunda é de ordem moral ou social, porque o ser humano não é um número ou um objeto, pelo que não podem o Estado e a sociedade falharem na prevenção material, permitindo, por negligência ou falta de solidariedade, a fome, a miséria, a falta de moradia, de emprego e de escola, e na prevenção policial, possibilitando, por imprevisão, ignorância ou desconhecimento dos governantes, ou por mero interesse econômico ou político, que os delinquentes atinjam as vítimas, para, em seguida, com argumentações estatísticas de fatos que poderiam ter sido evitados, pretenderem justificar a instituição da pena de morte;

A Doutrina Espírita nos assevera que não existe nenhum ser humano voltado unicamente para a prática do mal, todos têm algo de bom dentro de si, e, sendo assim, a conclusão que se tem é que não existem criminosos incorrigíveis, e sim, não corrigidos. Todos, portanto, são capazes de se emendar e progredir. Deus, na sua misericordiosa e infinita bondade, por intermédio da reencarnação, concede ao espírito devedor a dádiva de reparar erros cometidos no passado através de provas e expiações. Desse modo, a partir do momento em que o homem, em nome de uma pretensa lei elaborada pelo próprio homem, ao invés de ajudar aquele espírito em expiação a se redimir, pretenda obrigá-lo a retornar compulsoriamente à espiritualidade, cerceando-o, assim, da possibilidade que lhe foi concedida pelo Criador de resgatar débitos anteriores, estará, também, desrespeitando a lei divina.

Autor: Sérgio Cherci Júnior
Fontes consultadas: www.radioboanova.com.br

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9 respostas para Pena de morte: Sim ou não? Qual a visão espírita sobre este tema?

  1. Rafael disse:

    Belo texto, concordo plenamente… Até perante a visão jurista, sempre condenei a pena de morte, mesmo nos casos mais extremos!

  2. Ricardo disse:

    Como bem sabido que Deus é o nosso criador, somente este que tem o poder de conduzir nossas vidas, ou seja, de nos criar ou em sentido contrário. Fato que, a ninguém é dado o direito de decidir e/ou julgar sobre a vida ou morte senão nosso Criador Maior.

  3. Caro Irmão e Amigo Sérgio,
    De regozijo se enche meu coração ao ler o texto de sua lavra. Nunca duvidei de que pudesse confeccionar textos tão lúcidos e instrutivos como o ora publicado. Fruto, evidentemente, do amor que você tem devotado ao ser humano e, fundamentalmente, dos estudos que tem empreendido. Como dizia um professor que tive de filosofia: “Escreve bem, quem pensa bem”. E pensar bem decorre do aprimoramento da mente através do estudo, um dos mais nobres caminhos para a ampliação da consciência. Espero que continue a produzir textos desta beleza e profundida e, assim, compartilhar seus conhecimentos com as pessoas, possibilitando às mesmas, igualmente, a ampliação de suas consciências.
    Do amigo,
    Rodrigo.

  4. Meu Caro Amigo Sérgio,
    concordo plenamente com os Comentaristas que me precederam.
    Assim também,
    acho demais merecido o elogio feito pelo Dr. Rodrigo Delgado.
    Nada mais a acrescentar aos comentários.
    Continue sempre firme …

  5. Afonso Zilio disse:

    Concordo com o irmão sobre o tema, e vou alem:Os irmãos com propensões criminosas, ao mesmo temo que servem para se dar conta do que comete, serve também como auxiliar na recuperação de outros, eu explico: Um irmão que em uma existência anterior, (ou nessa) tirou a vida de um seu semelhante, ficou devedor, e este mesmo irmão é usado para que se cumpra o que está na Lei. “Quem com a espada fere, com a espada será ferido”. Ora: este irmão que matou deverá ser morto da mesma forma. Para que se cumpra a lei do progresso e evolução. Não podemos julgar e condenar alguém que foi um benfeitor, dentro da Espiritualidade. A dura realidade para quem ainda não se deu conta, ou que não conhece a Lei Universal ensinada pelo Espiritismo. Um abraço ao amigo.
    Zilio.

  6. Roberto Menezes disse:

    Alma educada não necessita disso. A pena de morte ou outro meio de ceifar a vida existe em detrimento da falta de educação humana nos princípios básicos do amor universal que constitui a a força criativa do ser, ora em provas e expiações. É um mal necessário, até que haja uma estrutura educacional alicerçada na doutrina da caridade, compreendendo de forma absoluta,
    o ser integral proveniente da fonte divina do Criador. Assim como gritamos com a dor por não saber eliminá-la, a pena de morte existirá por causa da ausência de outros meios de conversão do ser aprisionado na ignorância do saber viver em harmonia com as leis naturais. Então respondo o seguinte: Para os casos de expiação do espírito é conveniente a pena de morte,se estiver nos desígnios e justiça de Deus.Para outros casos, qualquer que seja, é um absurdo.

  7. Heloiza Delgado disse:

    Querido amigo Sérgio.
    Parabéns pela elaboração desse brilhante e instrutivo texto. Continue sempre disposto a propogar o espiritismo com essa leveza que só você sabe fazer.
    Abraços,
    Heloiza

  8. Aldoberto Carlos Mendes disse:

    Oi Sergio, e a todos quantos lerem este comentário, fiquei engrandecido de poder ser seu amigo e irmão de crença, alem de pertencer ao mesmo grupo de estudos espiritas, sabe que estás apto para escrever, muito belo seu texto, meio na contra mão deste momento, mas é a LEI DIVINA, plantou tem de colher, nao importa em qual Encarnacao, meus parabens a voce e quem te inspira, abracos carinhos

  9. kfilho disse:

    Foi dito que há uma certa incoerência entre a autorização da pena de morte com respaldo religioso. No entanto, tal afirmativa não é coerente, veja  Êxodo 21:12, “Quem ferir
    alguém, que morra, ele também, certamente morrerá”.
    O Mandamento que diz “Não matarás”, após avaliação de todo o contexto bíblico, nós trás o real sentido do mandamento, que é não matar por motivo fútil, e que a pena pela desobediência de tal mandamento era a morte. Portanto, é totalmente válida a afirmação religiosa ao apoio da pena de morte, visto que tal medida seria tomada somente em alguns casos, visando a preservação da segurança dentro de determinada sociedade

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