A Fenomenologia e os Procedimentos Espíritas

Luiz Cláudio de Pinho

De antemão gostaríamos de deixar claro aos corações e inteligências que vierem a nos conceder a gentil atenção, que não estaremos aqui a estimular o combate a estes ou aqueles médiuns ou grupamento espiritistas que se dedicam às atividades as quais estaremos descrevendo…

Estaremos sim fazendo uma analise critica de coisas que acreditamos já deveriam estar devidamente guardadas no arquivo do tempo … falamos da procura(chamariz) aos fenômenos mediúnicos e condutas em discordância com as orientações kardecianas.

Do local espírita

Lembramo-nos de Ivonne Pereira em um de seus artigos em O Reformador, quando traçava o perfil das Casas Espíritas que desejassem seguir os ditames da codificação… nesta linha de pensamentos, vemos que infelizmente boa parte dos dirigentes de casas espíritas, tanto quanto seus freqüentadores, não entenderam a responsabilidade e os comprometimentos inerentes ao ambiente espírita.

Nos outros, na condição de quem possui mediunidade, unimos nossos relatos a de vários outros médiuns que visualizam na casa espírita a condição de escola e hospital , por receberem considerável quantidade de desencarnados em complicadíssima condição espiritual.

São espíritos de psiquismo feminino, masculino e homossexual (feminino ou masculino) que adentram os grupos de estudos, acompanhando, ou não, os encarnados e que ali comparecem de maneira consciente, ou inconsciente, necessitando de amparo de urgência em virtude de que continuarem sentindo os mesmos desejos (reflexos)e necessidades(automatismos) que possuíam quando vivos.

Não são necessariamente, espíritos maus, mas inferiorizados em suas aparentes necessidades, fato natural que acompanhara’ a maioria de nos.

Como pensar que apenas porque ‘morreu’a criatura deixará de pensar em sexo, em dinheiro, em comida etc…?

Por isso demanda o ambiente espírita de atitudes respeitosas dos encarnados. Falamos da sinceridade e da disciplina de ação e não de aparências.

Não compactuamos aqui, com o silencio de clausura que infelizmente parece estar corroendo as bases dos grupos espiritistas ha alguns anos, falamos da moderação no falar e no agir.

Este perfil igreijista (silencio de clausura) a que muitos centros espíritas vem se dedicando, é tão deletério quanto os “clubes de passatempo” descritos por Ivonne Pereira, onde as pessoas comparecem para falar de churrascos, festinhas pueris e assuntos de esquina.

O silencio é prece como sabemos, mas o equilíbrio é sinal de sanidade moral e intelectual, por isso nem silencio de catacumba gótica nem algazarra de bacanal romana .

As vestimentas também não podem ser esquecidas pelos freqüentadores das reuniões. Acreditar-se que roupas de manga comprida, jalequinhos, paletós etc… Simbolizem moralidade e pudor, é tão imaturo e doentio quanto se acreditar que ‘roupa não tem nada haver com religião ’’.

Vemos em múltiplas revelações que os espíritos mais esclarecidos, possuem uma maneira sóbria de agir e de se apresentar, mas não nos esqueçamos que nas abadias do terror, como nos relatos de Rochester, os que ali estavam viviam na aparência de honestidade e sobriedade de vestimentas, no entanto eram criaturas viciosas ,despudoradas e imundas.

Das obras

Muito respeitáveis as obras anímicas ou mediúnicas, entretanto dentro de um ambiente onde se diga ambiente espírita, deveríamos primar pelos conceitos e estudos doutrinários evitando-se assim as palestras e reuniões puramente roustanguista, hamatisiana, ou psicológicas com temáticas do tipo regressão de memória etc, alem daquelas onde sutilmente sem a vontade consciente dos organizadores, encontramos a idolatria a este ou aquele trabalhador do evangelho…

Poderemos sim fazer menções a nomes variados espiritas ou não, mas sem exaltações, poderemos também relembrar fatos e autores diversos como subsidio entretanto, pautando as palestras NA CASA ESPIRITA nos princípios e características esposados pelo ESPIRITISMO.

Manter a palestra em sua totalidade de assuntos diferentes desses princípios, é erro grosseiro e pouquíssima ou quase nenhuma intuição superior.

Dos expositores

As tradicionais piadinhas, versinhos cansativos feitos de maneira excessiva por alguns expositores cremos estar mais em conformidade com os ambientes teatrais, propícios aos rompantes de vaidade humana, onde prepondera o tropismo pelos holofotes e gracejos pessoais.

Casos particularizados, onde a figura do expositor torna-se alvo de exemplificação ou queda, não devem ser levadas as descrições publicas, evitando-se com isto um certo “q” de mea culpa ou “eu consegui”.

Os “testemunhos” então , esses deveriam ficar a cargo do sr Macedo e sua igreja Universal do Reino.

A auto exemplificação pode transmitir ao neófito ou ao visitante, a sensação de que ele (o visitante) nunca conseguirá tal intento, ou que ali estará um guru a ser seguido.

Tais descrições, contribuem a tentação dos elogios excessivos que sempre afundaram médiuns e pupilos.

Mediunidade show

Infantilidade tanto dos médiuns que a ela se vinculem como de quem as promove. O chamariz das psicografias particularizadas do tipo ”minha querida mãezinha…” quase nunca promovem a maturidade espiritual de quem recebe estas cartinhas. São tentativas respeitáveis de divulgação, porem sem propósitos diante da realidade DOUTRINÁRIA.

Quando temos durante ou depois de uma palestra verdadeiramente espírita tais comunicações medianímicas, o contexto encontra-se mais evangelizado, entretanto esta (a psicografia familiar) não deve ser a principal fonte de atenção e divulgação dos equivocados organizadores deste tipo de evento que em sua maior parte, deixa no ar a decepção e o clima de “o médium fez peixada”.

Temos ainda, as divulgações do tipo “dia tal presença do médium psicógrafo…”, “diretamente de….o medium de curas beltrano” ou ainda “fulano, orador espírita, psicógrafo etc..” parece-nos mais em conformidade com os shows circenses ou as antigas fenomenologias existentes antes, durante e logo após o período de Allan Kardec.

Lembremos que o momento das mesas que giravam, da corbélia túpia, da corbélia de bico, do mesmerismo etc…foi importante mas ficou no tempo, revive-lo alem de pueril demonstra que não se entendeu NADA da mensagem doutrinaria e por isso ofenômeno pelo fenômeno ainda atrai muito e modifica pouco.

Quando o publico leigo(simpatizante do espiritismo) se arvora em procurar relatos e mensagens do mundo espiritual, é compreensível , entretanto quando criaturas que se dizem “espíritas de carteirinha” ou “muito espíritas” correm ou divulgam tais fenômenos com extremada empolgação ficamos a pensar o quanto ainda o Movimento Espírita deverá caminhar para entender o dueto Jesus-Kardec e o quanto os missionários deverão morrer em holocausto frente ao mar revolto da cegueira de muitos.

Infelizmente já tivemos muitas pessoas de nossas relações que após receberem certo numero de psicografias, choraram sob as cartas de seus mortos queridos, entretanto não se modificaram em nada.

Outras após realizarem as chamadas cirurgias espirituais disseram-se modificadas para o mundo e até por alguns dias distribuíram comida aos miseráveis das ruas e as crianças das favelas aqui do Rio de Janeiro, mas bastou o tempo esfriar, a chuva cair e os favelados voltaram a sentir fome e os mendigos rejeição.

Quantos leprosos morais e físicos Jesus curou? Quantos se reformaram?

Quantas vezes Jesus deixou claro que não estava ali, para ‘transformar água em vinho” ou ressuscitar mortos do corpo?

Quantos estiveram ao lado de Kardec e Léon Dennis no iluminado e saudoso Espiritismo francês e depois optaram pelas defecções?

Charles Richet o maior fisiologista de então, estudou durante décadas o fenômeno mediúnico e não se convenceu do que presenciava. Somente as portas da morte, relatou a Willian Croocks sua aceitação ante os fenômenos ditos supranormais.

Poucos foram como o queridíssimo Cesare Lombroso, que de critico contumaz passou a divulgador sincero após sua genitora dar-lhe comprovação da vida espiritual

Meus amigos desculpem-nos se não somos mais amenos em nossa observações, entretanto o tempo já nos mostrou que o Espiritismo merece de todos nós, muito mais que simples arroubos de criança.

A Codificação merece estudo serio e sistematizado, onde as elucubrações e polemicas devam ser levadas a efeito, de maneira ordeira e digna, como preconizava Rivail (Alllan Kardec).

Evitemos então, os tais “fulano disse”, as aceitações igreijeiras, os excessos de disciplina com o horário, que nada mais é que inferioridade espiritual como deixa claro o livro dos médiuns no item 333.

Sabemos e entendemos que como afirmava Kardec, existem vários ‘tipos’de espíritas, mas como o Espiritismo e’ um só, pautemos nossa conduta neste prisma de razão e fé , evitando as esquisitices que já foram companheiras de quedas e desequilíbrios do passado de muitos de nós.

mailto:drluizclaudiodepinho@ig.com.br

Rio de Janeiro – Data – 20 janeiro de 2001 – Associação Medica Espírita

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