Doenças mentais e obsessão

Em muitos círculos espiritualistas e espíritas faz-se uma clara associação entre doença mental e obsessão. Essa relação é real?

Joseph Gleber. Todas as formas de generalização devem ser analisadas com cuidados, principalmente porque que tais assuntos são bastante complexos para serem tratados em apenas algumas linhas.

As doenças mentais representam a manifestação, nos diferentes planos de vida, de desarmonias no corpo mental, mas a origem do processo e suas manifestações não podem ser generalizadas. Cabe ressaltar aqui, que as condições do mentalsoma, que possibilitaram o desenvolvimento da enfermidade no corpo físico, podem até sofrer exacerbações de obsessores, mas não podemos colocar que essas desarmonias são sinônimas de obsessão, ou sinais desse quadro, uma vez que muitos são os fatores capazes de induzir estados enfermiços no mentalsoma, como o remorso e sentimento de culpa, que também estão ligados à obsessão, mas não necessariamente.

Não raro, o processo de monoideísmo doentio acaba produzindo quadros devastadores na estrutura do perispírito e, por conseguinte, no corpo físico, mas tudo perfeitamente justificável pelas leis da hereditariedade mandante, uma vez que o planejamento reencarnatório já inferia a necessidade de soerguimento do irmão na condição de espírito preso a um sistema nervoso momentaneamente limitado.

Muitas vezes as limitações e enfermidades do sistema nervoso protegem o indivíduo frente e perseguidores do pretérito e isso constitui mecanismo de defesa e adaptação do irmão, que no plano físico necessita refazer seu juízo e conceitos. Vendo-se tolhido e obrigado a repensar seus atos, o espírito passa a entender melhor as palavras “humildade” e “fraternidade”, em função da profunda dependência que desenvolve para com todos que o rodeiam.

Embora a associação entre doença mental e obsessão seja feita por 90% dos dirigentes espíritas, eu diria que menos da metade dos casos de demência são acompanhados da presença de obsessores, uma vez que o obsediado apresenta poucas condições de exteriorizar as vontades de seus acompanhantes. Contudo, essa condição é muitíssimo mais comum em pessoas que estão no início do desenvolvendo da enfermidade mental e em suas encarnações anteriores, que agravaram o seu carma negativo. Da mesma forma que as prisões possuem menos obsessores do que as ruas, onde as possibilidades de parasitismo espiritual são mais amplas, as casas assistenciais têm menos problemas de obsessão do que poderíamos julgar à primeira vista.

Por fim, gostaria de frisar que existe ampla gama de doenças mentais ligadas à vida atual de meus irmãos, como as doenças traumáticas, infecciosas e degenerativas, que normalmente não são influenciadas, de forma decisiva, por um ou outro evento do passado, mas representam o “conjunto da obra” e constituem um momento adequado para interromper uma sequencia de quedas espirituais, representando um momento de pausa e reflexão por parte do companheiro afetado pela enfermidade. Após esse período, já refeito, o caminho se descortina de forma mais ampla do que inicialmente previsto, dependendo dos vínculos de solidariedade que o interessado foi capaz de tecer e da sua resignação e capacidade de superação.

Muitos julgam a Doutrina dos Espíritos como fatalista ou determinista, mas isso é enganoso. Determinismo é estar preso a uma realidade e temos o livre-arbítrio, que elimina essa obrigatoriedade. Apenas dizemos que todas as experiências da vida podem e devem ser convertidas em aprendizado e nada disso tem de fatalismo. Contudo, se determinismo é colher o que se plantou, inequivocamente estamos diante de uma situação determinada pela própria pessoa. Isso é ser determinista? Creio que não.

Autor espiritual: Joseph Gleber
Médium: Elerson Gaetti
O texto acima consta do livro “Vida Além da Vida”, volume 1, de autoria dos irmãos Ishmael ben Gurion e Joseph Gleber, disponível em formato de e-book.

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