Embora os assuntos ligados às enfermidades da alma deverão ser considerados no final do presente estudo, gostaríamos que vocês nos dessem uma receita simples de como impedir a implantação de quadros obsessivos ou de como tratá-los?
Ishmael. As relações humanas nunca são governadas por elementos que podem ser reduzidos a algo que poderíamos chamar de “simples”.
A obsessão é um exemplo. Governada pelo ódio ou pelo amor doentio, a obsessão é fruto de desequilíbrio profundo e suas origens necessitam de muito estudo.
Quando digo “estudo”, não me refiro às terapias de vidas passadas ou desdobramento de consciência, mas sim uma avaliação de postura de vida, uma vez que, com o que somos, podemos inferir o que fomos, sem perder a proteção do esquecimento bendito dos erros do passado, garantia maior de sucesso em nossa empreitada encarnatória. Muitos que se arriscam a esses procedimentos invasivos do passado não estão preparados para tanto ou acabam ficando sob influência de médiuns sugestionados, que pioram ainda mais a sua condição. Não raro, o terapeuta projeta as suas aflições e medos sobre a pessoa sugestionada e isso apenas piora a condição do obsediado. Ao invés de atenuar remorsos e permitir o auto perdão, tem efeitos diametralmente contrários a esse. Temos de ter muito cuidado com isso.
Vimos casos em que o próprio obsessor, sedento de tornar óbvia a relação com o encarnado, sugeriu à família, através de médiuns domésticos, a realização desses tratamentos alternativos, a fim de se apresentar como um guia espiritual do companheiro no plano físico. Isso ilustra que apenas o evangelho pode ter efeitos de longo prazo sobre a relação obsediado-obsessor.
A obsessão é uma relação entre espíritos, por vezes entre encarnados e desencarnados, mas pode ocorrer também entre desencarnados e mesmo entre encarnados. O que diferencia esse tipo de relacionamento de tantas outras condições de influência recíproca são seus resultados, sempre mostrando prejuízo para ambas as partes, mesmo que elas não tenham conhecimento disso.
A obsessão é fruto de sintonias.
Seu tratamento vai depender de algo bastante difícil de fazer presente: o autoconhecimento. Não podemos esquecer que todo quadro obsessivo deverá contemplar três elementos diferentes: o obsediado, o obsessor (es) e o ambiente onde o quadro se manifesta.
Raramente o obsediado se sente como se estivesse sob influência de outra pessoa. Não raro, sob efeito de seu “amigo” invisível, acaba ironizando todas as tentativas de informá-lo de sua real condição espiritual. Tais ironias geralmente se convertem em agressividade e sarcasmo para com os demais membros da família e amizades, que procuravam mostrar o quadro verdadeiro àquele irmão.
Para resolvermos a situação, inicialmente, devemos mostrar ao amigo obsediado os efeitos que tais influências exercem sobre ele. Devemos colocar que o centro ou a igreja poderão auxiliá-lo sempre e não possuem contraindicações. Em muitas ocasiões, em função do parasitismo espiritual, os encarnados e desencarnados acabam ironizando toda ajuda que recebem dos demais, criando uma situação insustentável, na qual o único que não reconhece o quadro obsessivo é o próprio obsediado.
Em tais circunstâncias, a frequência periódica ao centro e a orientação da espiritualidade através da intuição poderão redundar em momentos adequados para conversas fraternas sobre o fenômeno em curso. Não busquemos discussões estéreis. Para facilitar a ocorrência desses momentos, é recomendável a realização de entrevista inicial e de acompanhamento na casa espírita, realizada por pessoas serenas e sem tendência ao estrelismo ou personalismo. Não adianta criar dramas. A melhor forma de diálogo tem na serenidade uma característica fundamental.
Iniciado o processo de conscientização, o amigo deverá imergir, principalmente nos casos agudos, dentro das atividades da casa. Importante frisar que mais importante do que ir ao centro espírita é deixar a filosofia da Doutrina dos Espíritos adentrar o coração e a mente do par obsediado-obsessor. Quando um vai à casa espírita, acaba expondo o outro às suas influencias também, uma vez que não podemos esquecer que a obsessão é uma via de mão dupla, onde influências recíprocas se fazem sempre presentes.
Temos de eliminar a agressividade e as posturas inconsequentes para com a vida. Evitar, de todas as formas, os ambientes e condições que facilitam as quedas espirituais, como o álcool, no caso dos alcoólatras, os prostíbulos para os viciados em sexo e os ambientes de maior libertinagem para aqueles que carregam as marcas da dependência química. Procurem evitar discussões domésticas e longos discursos retificadores sobre a vida desses nossos irmãos, uma vez que estão passando por dramas profundos que somente eles podem descrever, com as cores vivas da dor e da angústia.
Aos familiares, a paciência, compreensão e atitude ativa de apoio constituem medicamentos indispensáveis.
As reuniões de desobsessão, independentemente do “modus operandi” deverão ser utilizadas para mostrar aos companheiros desencarnados os numerosos problemas que eles estão causando a si mesmos e os efeitos que essa postura deverá ter sobre toda a estrutura organizacional de seu perispírito e sobre sua vida espiritual futura. Devemos sempre frisar o valor do perdão e da possibilidade desse círculo de dores, ódios e amores doentios se perpetuar em uma condição que não é favorável a ninguém.
Nas reuniões de desobsessão, evitar a postura do doutrinador típico, que dá lições de moral e se apresenta como um bastião da doutrina cristã, uma vez que o espírito obsessor pode rapidamente perceber as falhas morais e espirituais do doutrinador, fazendo com que as máscaras venham a ruir, criando uma condição bastante embaraçosa para o trabalhador da casa. Uma postura atenciosa e fraterna, embora firme e mostrando os limites da manifestação mediúnica, auxilia muito mais do que os discursos moralizadores. Assim que sentem o carinho fraterno da casa de oração, a agressividade desses companheiros obsessores é significativamente reduzida e muito será obtido naqueles breves momentos, principalmente se o obsediado também procurar fazer a reforma íntima.
Os obsediados também poderão ser portadores, em nível mais ostensivo, de faculdades mediúnicas e poderemos utilizar de todo o preparo e desenvolvimento mediúnico para reforçar o seu embasamento na Doutrina dos Espíritos, procurando sempre exaltar o poder da oração e do evangelho cristão na terapia. Os trabalhos mediúnicos deverão sempre levar em conta que, mais do que sensibilidade medianímica, o trabalhador tem que ter equilíbrio e boa vontade, essas sim são as duas condições mais importantes para o momento do nascimento daquele novo ser, que poderá ou não se converter em médium ostensivo.
As palestras, a fluidoterapia, o auxílio fraterno na casa espírita, tudo isso irá modificar o padrão de pensamentos e de companhias de nossos amigos que padecem dos males da obsessão. No início, as melhorias serão sentidas apenas perifericamente, mas serão perceptíveis, onde o obsessor pode ir perdendo a capacidade de influenciar as atitudes do obsediado, seguida por uma fase em que ambos começam a perceber que perderam tempo em manter aquele tipo de relacionamento. Nesse momento, o obsediado vira canal de evangelização de seus perseguidores, que poderão vir a se converter em futuros auxiliares da própria casa espírita, na sua busca pela luz que banha a alma e acalma as angústias de uma vida sem maiores objetivos. O destino trata de envolver a todos em um novo patamar de relacionamento.
O tratamento de casos de obsessão mais complexa, nos quais o obsediado está sob influencia não apenas de pensamentos de desencarnados, mas também sob influencia de sua tecnologia (4), deve contar também com a presença do obsediado em atividades de corrente magnética e fluidoterapia, que deverão ser realizadas semanalmente, em ciclos de três ou quatro semanas, seguidas de uma semana para o acompanhamento dos amigos e tratamento dos próprios trabalhadores da casa espírita. A presença do obsediado, nas sessões de desobsessão, nem sempre é recomendável, uma vez que, na ausência de maior conhecimento sobre o assunto, podem se deixar influenciar pelas palavras ásperas que muitas vezes são proferidas pelos obsessores.
A corrente magnética, com mais de 150 anos de uso nas casas espíritas, pode ajudar na remoção e neutralização de todas as formas pensamento e aparelhos tecnológicos. A retirada de corpos ovoides também é potencializada por esse procedimento, que nada mais é do que a criação de poderosa forma mento-magnética a partir de um grupo de desencarnados e encarnados em sintonia, procurando associar energias de ambos os planos no refazimento da estrutura perispiritual de todos ali presentes e na harmonização do conteúdo vibratório do ambiente e dos seus integrantes.
A despeito do que alguns companheiros do movimento espírita dizem, o obsediado e o obsessor podem sofrer os efeitos de séculos de relacionamento nocivo, de forma que as modificações na estrutura do perispírito de ambos acabam por condicionar alterações mais ou menos profundas em sua psique e organização dos centros nervosos. Nesses casos, os tratamentos psicológicos e psiquiátricos adicionais devem ser instituídos concomitantemente. Cada um tem seu objetivo e cada qual tem suas responsabilidades. Não é lícito, em hipótese alguma, opiniões, em centros espíritas, que venham a desestimular o apoio e atendimento pela medicina e pela psicanálise. O tratamento deve ser integrado. Como amigos do obsediado, podemos, na melhor das hipóteses, diante da ausência de melhora relatada pelo nosso companheiro, sugerir a consulta em outro especialista terreno, enquanto nos ocupamos dos tratamentos na casa espírita. Isso é trabalho de equipe.
Médium e espírito comunicante que “mandam” o paciente em crise parar de utilizar medicação controlada fazem um desserviço à Doutrina Espírita. Se o espírito comunicante possuir conhecimentos médicos e detectar a ineficiência da abordagem terapêutica instituída pelo seu colega encarnado, deve indicar, através de intuição ou demais dons mediúnicos dos amigos da casa, o nome de algum médico capacitado a prover melhor abordagem terapêutica. Não serão os medicamentos terrenos que irão levar á cura do processo obsessivo, mas eles poderão permitir que o amigo encarnado venha a atravar os momentos mais graves e receba os benefícios da terapia espiritual, de mais longo prazo. Nesses casos mais graves, a internação psiquiátrica em casas de tradição espírita pode representar o ponto ideal no casamento da medicina terrena e a espiritual, tirando-se vantagem de ambas.
Digo essas palavras, que podem parecer radicais, porque diversos obsediados são portadores de doenças de base, que já atingiram a intimidade de seus corpos físicos, o que justifica a intervenção concomitante da medicina terrena. Aspecto semelhante deve ser dito a respeito das cirurgias espirituais, onde o médico terreno deve ser informado das mudanças da sintomatologia ou da remissão da lesão após a realização da intervenção dos espíritos. Médico espiritual que se preza sabe das suas obrigações e das limitações dos colegas encarnados, além das peculiaridades dos nossos pacientes.
Se pudesse resumir tudo isso em uma única frase, diria “precisamos evangelizar e trabalhar”. Isso é muito e o início é a parte mais difícil.