Obsessão e Liberdade

Autor: Pai João de Aruanda

Filhos, filhos meus, vocês falam tanto de liberdade, mas essa não é conquistada com uma assinatura no papel. A verdadeira liberdade não é aquela que acompanha os que vivem a ilusão da vida física.

A liberdade verdadeira é conquista pessoal; é sinal de crescimento espiritual de mais um filho do verdadeiro Pai.

Estar livre é coisa que todos buscam, mas poucos realmente estão preparados para os sacrifícios que esse caminho vai cobrar: trabalho e renúncia. O trabalho constrói o homem novo, livre e humilde. A renúncia impede as quedas que sempre atrapalham o caminhar de todos os pequeninos.

A todos os que realmente buscam a liberdade, perseverança é a palavra que falta. Ela traz força e coragem diante da escuridão da noite; traz a luz, traz a paz do Criador, sara as feridas que nós mesmos abrimos no passado. A perseverança dá força para que meus filhos encontrem as respostas para suas dúvidas.

A fé brota no coração daqueles que perseveram e essa certeza de obter a paz acalma nossas aflições e ampara nossas dores.

O ar puro da consciência tranquila é o que aguarda os meus pequenos filhos no final dessa jornada. Quando o desânimo se abater sobre cada um de vocês, lembrem-se de Jesus, que nunca descansou e foi tão brutalmente agredido e desprezado por tantos… Não temos o direito de desanimar.

O que hoje meus filhos colhem é apenas um pouco do que plantaram nas primaveras do passado distante. A colheita sempre vem, mas, para o trabalhador da concórdia e do amor, vem de mãos dadas com a misericórdia de Deus, que vela por todos nós.

Nesse casebre simples[1], onde passamos os nossos dias, não devemos perder tempo com reclamações. Se meus filhos têm tempo para perder proferindo palavras rudes e ácidas, porque não usá-lo de coração para falar do amor e acalmar a dor daqueles que encontrarem pelo caminho? Esse casebre sempre deve ser acolhedor.

A miséria de nossas atitudes, no dia a dia e no passado distante, plantou a aspereza que encontramos no presente, mas nada se perde. O Pai verdadeiro lança Sua luz em nossa direção e seguimos em frente, semeando o futuro e colhendo o passado.

Cada açoite que ganhamos do mundo, devemos devolver na forma de sorrisos, porque assim aqueles que querem dor se cansarão. Filho de preto-velho não dá ouvidos para quem quer machucar os irmãos. Filho de preto-velho é forte e não teme o tronco, porque foi no tronco que conquistou a liberdade verdadeira. A chibata e a corrente foram o cinzel e o martelo do escultor e éramos a pedra bruta que a vida vem esculpindo. Filho de preto-velho é forte porque sabe que tudo passa, menos a lembrança do amor que cultivamos.

Não é a dor e o sofrimento do tronco que pagam o que devemos à vida,  mas eles nos dão o tempo para pensar e, pensando, mudamos. Cada açoite que evitamos nos filhos de Deus, cada ferida que tratamos em nossos irmãos, mais livres nos tornamos. Pagamos. Quanto menos buscamos a matéria do mundo, mais encontramos a tranquilidade em Aruanda, no plano dos espíritos livres.

Quanto mais amor plantamos pelo caminho daqueles que ainda não aprenderam a nos amar ou respeitar, mais livres nos tornamos e mais poderemos ajudá-los. Essa é a lei, única lei que emana de Deus: o amor.

Não tenho, meus pequenos, palavras para descrever a alegria que invade o coração de um pai e de uma mãe quando retornam para o mundo maior e podem ver seus filhos trilhando seus próprios caminhos, com as forças que conquistaram, tendo nas palavras de Jesus o verdadeiro ânimo de suas vidas.

Da mesma forma, esse velho, de corpo tão sulcado pelo sol e pelos anos de orgulho e egoísmo que ele mesmo semeou e colheu, sente uma felicidade pura e cristalina ao presenciar tanto esforço e dedicação de todos na conquista de mais um ponto de luz para o atendimento de nossos irmãos que mais sofrem. Vejo que todos estão trabalhando para vencer as próprias limitações. Homens bons, homens livres, esse é o desejo de nosso Pai que está nos céus. Lembrem-se que a maldade escraviza e é a filha maior da ignorância e mãe da obsessão.

A cada novo dia, vamos retirando as trevas interiores que ainda nos escravizam e nos ligam aos que preferem as sombras. Logo veremos que as trevas exteriores também desapareceram e esses irmãos já acordaram para o desafio de viver com as próprias forças.

O raiar de uma nova época, uma nova era, como vocês tanto falam, está diante de meus olhos. Um tempo de irmãos que sorriem e se abraçam; de gente que aprendeu que juntos podem fazer mais; um tempo em que o “nós” vale mais do que o “eu”.

Assistimos o parto desse homem, que trabalha e partilha para vencer suas lutas. Vemos o nascimento de um filho que reconhece na natureza, mesmo em uma breve chuva, no vento, no sol, na luz, a maravilha da vida e a expressão do Pai Verdadeiro; um filho que se sente amparado e que ampara.

Esse homem é um novo ser, que vem ao mundo para a alegria de todos.

Essa é a verdadeira transição que vocês estão assistindo. Ela é feita do conhecimento da verdade, que é colocada na vida de cada um e que logo se transforma em pura sabedoria, de gente boa e simples, como deve ser a própria vida.

Paz, diversidade, justiça e fé. Tudo isso dando um novo sentido à lei do amor e ao nosso mundo tão conturbado, porque apenas o amor, e não o sofrimento, irá nos conduzir ao grupo de filhos verdadeiramente livres de Deus.

Para os libertos de alma e coração, não existe passado, presente ou futuro. O tempo torna-se mero espetáculo.

O remorso, a culpa e a revolta se tornam apenas palavras sem sentido perante a grandiosidade que nos contempla. O céu torna-se o espelho da majestosidade da vida e essa se converte em aprendizado para todo aquele que se habilita ao trabalho.

Nesse novo mundo, não existe lugar para senhores e escravos, nem disputas fratricidas. As armas da ignorância e do preconceito já terão sido depostas.

Aos filhos mais instruídos desse velho, peço-lhes que orientem aqueles que ainda engatinham na jornada e não se sintam sós porque aquele que tem amor no coração não está realmente desamparado ou solitário. Aquele que ama sempre contará com a companhia daqueles que vêm do Alto.

Livres; sejam livres dentro das pequenas celas vivas em que hoje estão confinados. Suas limitações são passageiras e todos os motivos e explicações para os vossos dramas logo serão conhecidas. O perdão desarma o oponente e o amor constrói a nova amizade[2].


[1] Nota do autor encarnado: que seria esse casebre simples que o nobre mentor menciona? Seria o nosso corpo físico? Seria impossível essa comparação? Creio que não, uma vez que o próprio mestre Jesus teve seu corpo comparado ao Templo de Herodes, em Jerusalém. Para os cristãos mais tradicionalistas, a alegada “ressurreição do Cristo” estaria ligada à destruição do Templo, que nunca foi reconstruído.

[2] Nota do autor encarnado: a mensagem sobre liberdade foi psicografada no dia 13 de maio de 2013. Infelizmente o autor encarnado  não havia se dado conta de que nesse dia do ano, celebrava-se a assinatura da Lei Aurea, que emancipava os escravos no Brasil.

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