Zelar pela Doutrina

 

 

Diante de nossos irmãos com os quais viemos a partilhar de alguns pontos de vista, esperando dilatar ainda mais nosso círculo de amizades espirituais e nos ajudarmos mutuamente neste longo caminho da evolução, trago aqui uma reflexão sobre nossos papéis enquanto cuidadores e propagadores da Doutrina Espírita, que tanto nos tem amparado e consolado em nossa pequenez.

Como consta nos objetivos deste blog, pretensão outra não temos que aquela de divulgar reflexões próprias e criar uma rede de amigos e estudos centrado no Espiritismo. Apenas Espiritismo, como diz Kardec em A Gênese, no sentido de uma religião ampla, sem personalismos de qualquer tipo, exclusivamente relacionado a este ou aquele Benfeitor, ainda que seja comum a denominação “espiritismo kardecista”. Talvez seja oportuno relembrar este termo, ainda que impróprio segundo o mesmo Kardec, para dizer o quanto falta aos “kardecistas” de hoje terem a sua mesma postura de há pouco mais de 150 anos. Uma postura sóbria, baseada no bom senso, no estudo sistematizado e na experimentação, e não na frivolidade, nas excentricidades de todo tipo e no desconhecimento decorrente da falta de estudo e reflexões sérias sobre os mais diversos assuntos. Assim sendo, perguntamos: qual tem sido o nosso papel nessa bendita doutrina? Como temos contribuído com ela? Respeitamos e zelamos por ela de fato?

Creio que a fidelidade a Kardec seja fundamental. Não uma crença cega e fanática, mas entendida e franca, que do “crer” passa ao “saber”. Seu desdobramento natural, e necessário dentro do conceito de Revelação progressiva, na obra de Chico Xavier, também constitui pedra angular da Doutrina, em que o Codificador é sempre o ponto de partida para todos os apontamentos dos Amigos Espirituais. É preciso sim saber diferenciar o que clareia e o que turva os princípios espiritistas. Censurar não, discernir sim – falo isso baseado em muitos centros espíritas que simplesmente baniram diversos autores de suas livrarias..

Como a imagem citada por Emmanuel, da grande árvore farta, na qual pássaros façam seus ninhos temporários e vão embora, a que o lavrador deve ficar atento para que suas raízes permaneçam firmes e ela continue frutificando. Assim devemos entender nossa responsabilidade, como lavradores dessa árvore frondosa chamada Espiritismo, plantada em solo fértil, no coração e na Razão dos homens. “Toda crença é respeitável. No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade. (…) Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas”. Eis a recomendação sábia do bondoso Emmanuel. Não preciso nem citar a falta de compromisso de muitos trabalhadores espíritas que por falta de disciplina faltam ao trabalho edificante e assistencial, negando-se a si mesmos a oportunidade de servir no Bem. E essa é uma questão muito séria, pois o movimento, conquanto tenha recursos humanos bem formados e engajados, necessita de seareiros que continuem a lida, levando adiante o processo de regeneração planetária.

Torna-se imperiosa, portanto, nossa distinção moral e intelectual, educados em Cristo, Kardec e Chico Xavier, não sermos “cultos em doutrina e pobres em espírito” como diz André Luiz no excepcional prefácio de “Nosso Lar”.

Depois desses pequenos apontamentos, esperamos poder fazer nossa a rogativa de Yvonne do Amaral Pereira ao Alto, que serve para todos os trabalhadores do planeta, médiuns conscientes ou inconscientes daqueles que com eles se sintonizam, ao final dos serviços reencarnatórios:

“Obrigada, meu Deus, pela bênção da mediunidade que me concedeste como ensejo para a reabilitação do meu Espírito culpado. A chama imaculada que do Alto me mandaste, com a revelação dos pontos da tua Doutrina, a mim confiados para desenvolver e aplicar, eu ta devolvo, no fim da tarefa cumprida, pura e imaculada conforme a recebi: amei-a e respeitei-a sempre, não a adulterei com idéias pessoais porque me renovei com ela a fim de servi-la; não a conspurquei, dela me servindo para incentivo às próprias paixões, nem negligenciei no seu cultivo para benefício do próximo, porque todos os meus recursos pessoais utilizei na sua aplicação. Perdoa, no entanto, Senhor, se melhor não pude cumprir o dever sagrado de servi-la, transmitindo aos homens e aos Espíritos menos esclarecidos do que eu o bem que ela própria me concedeu.”

Bibliografia

1. A Gênese. Allan Kardec, Editoras FEB/LAKE/IDE/FEESP

2. Seara dos Médiuns, lição “Ensino Espírita”. Emmanuel (Espírito), psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora FEB.

3. Religião dos Espíritos, lição 80 “Doutrina Espírita”. Emmanuel (Espírito), psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora FEB.

4. Nosso Lar. Prefácio. André Luiz (Espírito), psicografado por Francisco Cândido Xavier. Editora FEB.

5. Recordações da Mediunidade. Bezerra de Menezes (Espírito), psicografado por Yvonne do Amaral Pereira. Editora FEB

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