REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO

Muitos falam da Reencarnação e outros rejeitam essa ideia, principalmente os cristãos católicos que falam da Ressurreição. São coisas distintas que no entanto fazem parte do mesmo processo de evolução do ser humano que há-de alcançar um dia a sua  perfeição, neste ou noutros Mundos que integram o Grande Plano da Criação.

De resto, Jesus dizia mesmo a Nicodemus (um Ancião e Mestre de Israel) que ele teria de “nascer de novo” da água (matéria – placenta) e do espírito (‘sopro’ de vida, pneuma – anima) para entrar no “Reino dos Céus”. E mais dizia que todos devemos tornar-nos justos e perfeitos como o “Pai Celestial” (Deus) que obviamente não se consegue numa só existência de vida na Terra, mas ao longo de muitas eras, na esteira dos séculos e dos milénios, até nos tornarmos imortais e nos fundirmos ao próprio Deus nas Regiões Celestiais.

A finalidade da vida neste Planeta é isso mesmo, pois é certo que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança” (na essência, não na existência), porquanto o homem é já o ser divino, eterno e imortal, mas vive mergulhado no mundo físico onde é um ser efêmero que nasce e morre na matéria onde evolui e se aperfeiçoa ao longo dos tempos numa forma hominal, para se tornar um dia num ser angelical e mais tarde num Ser Celestial.  A lagarta já é a formosa borboleta (na sua essência) mas tem de passar por várias ‘metamorfoses’ (na sua existência) para se tornar na criatura alada e perfeita que todos conhecemos, cheia de cor e beleza na sua nova forma actual….

A Ressurreição é, pois, diferente da Reencarnação. Tem a ver com um estado perfeito do Ser que já se elevou ou se projecta na vida noutra dimensão com um “corpo-luz” com o qual ascende aos Céus ou ao Firmamento e não precisa repetir mais na matéria aquilo que a maioria dos seres humanos tem de fazer e aprender (pelo sofrimento ou pela obtenção do Conhecimento), para se libertar dos erros e da ignorância de gerações que carrega ainda ao longo desta vida cheia de muitas atribulações, crenças e convicções.

De resto, “Conhecei a verdade e ela vos libertará”, dizia Jesus na sua Pregação, pelo que não nos devemos limitar aos conceitos ou pre-conceitos dos homens desta ou daquela Religião, todas divergindo entre si criando muitas vezes o fanatismo, o obscurantismo e a obstinação, rejeitando até a ideia da Reencarnação.

O “nascer de novo” não tem a ver somente com aceitação consciente de um compromisso religioso assumido pelas águas do Baptismo desta ou daquela Igreja (que pode levar ou não a uma renovação interior), mas sim tem a ver acima de tudo com a questão da Reencarnação, cuja crença  já era  muito comum no tempo de Jesus Cristo e ainda hoje  faz parte da cultura ou tradição dos povos do Mundo Oriental cuja Sabedoria milenar supera em muito a do Mundo Ocidental em questões de ordem espiritual. De facto, “A Luz veio do Oriente”…

Quando algumas Igrejas cristãs hoje dizem que “a questão da Reencarnação nada tem a ver com Cristo e com a sua missão”, limitam-se apenas em interpretar, à sua maneira, alguns trechos das Sagradas Escrituras onde não conseguem discernir nenhum facto relacionado com a ideia da  Reencarnação. Penso que isso resulta de um total desconhecimento de algo tão banal, universalmente aceite no Mundo Oriental, onde milhões de hindus, tibetanos, japoneses, etc., cultivam há muito este seu conhecimento sobre a evolução do ser humano  no mundo terreno ao longo de muitas vidas que o próprio Jesus Cristo bem conhecia e referia na sua conversa com Nicodemus e este nem  sequer entendeu a mensagem sobre o novo nascimento. Aliás, Jesus diria mesmo ao mestre de Israel o seguinte: “se te falo de coisas terrestres e não me entendes, como queres entender se te falo das coisas celestiais?”…

Alguém pretendeu dizer-me, um dia destes, que “um verdadeiro cristão não deve aceitar ou acreditar na Reencarnação” (apesar desta já estar cientificamente comprovada – ver estudos e provas documentais publicadas pelo Dr. Ian Stevenson da Universidade de Virginia nos EUA na sua obra “Twenty Suggestive Cases Of Reincarnation”), mas o facto é que já os primeiros cristãos sabiam e acreditavam na Reencarnação, tendo sido suprimida a crença no Mundo Ocidental pelo Concílio de Constantinopla no ano 553 d.C. por ordem do Imperador Justiniano (déspota e autocrata) influenciado pela sua  mulher Teodora que na realidade era quem manejava o poder e pretendia que se acabasse com a crença por alguma razão. Na verdade, tudo se resume numa história que só poucos conhecem, porquanto:

Teodora era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio e como cortesã ambiciosa (por quem o imperador Justiniano se apaixonou ou se agradou), começou a sua rápida ascensão ao Império. Como tinha um passado de que se envergonhava e receando ser descoberta  por quem seguia os Ensinamentos de Orígenes que ministrava a doutrina da Reencarnação e das almas endividadas que pagam sempre neste mundo seus actos passados, ela empenhou-se logo em mandar suprimir essa crença porque tinha mandado matar quinhentas colegas suas que bem a conheciam.

É isto, pois, o que se diz do verdadeiro motivo da supressão da doutrina de Orígenes e não outra.  De resto, a Reencarnação era aceite pela própria Igreja Cristã da época que acreditava na pre-existência das almas e nas vidas sucessivas neste mundo onde todos colhemos sempre de acordo com o que fazemos ao longo dos tempos, porque efectivamente “cá se faz, cá se paga”… como diz o velho ditado popular.

Portanto, foi no tal Concílio de Constantinopla, convocado por Justiniano, pela vontade de sua mulher Teodora, que ficou decidido mudar aquilo que Orígenes (grande filósofo e teólogo grego) ensinava, tendo apenas participado nesse Concílio os bispos ortodoxos de sua confiança e nenhum de Roma, sendo que o próprio Papa Virgílio na altura deixou bem claro que não concordava com as ideias do Imperador, recusando-se mesmo a participar, facto que levaria o Papa a ficar cativo por um periodo de 8 anos…

Assim, a Imperatriz Teodora (vista hoje como uma ‘santa’ da Igreja Ortodoxa), viu concretizados seus desejos pessoais de suprimir  uma crença que tanto a incomodava pelos motivos já apontados.  Foi deste modo (e não outro) que a doutrina sobre a Reencarnação (que fazia parte da Igreja Cristã ) ficou omitida até hoje.

De resto, esta atitude levou mesmo a muitas reacções contrárias do Cardeal Nicolau de Cusa que se manifestou contra a decisão arbitrária do Concílio, defendendo em pleno Vaticano a pluralidade das vidas sucessivas e dos mundos habitados, com a concordância do Papa Eugênio IV (1431 -1447), embora isso provocasse descontentamento de influentes clérigos da Cúria Romana.

Enfim, esta é a verdadeira questão da supressão da crença na Reencarnação no século I d.C. que a Igreja instituiu e nada mudou até hoje. Será que os ‘fiés’ da Igreja Católica e outras cristãs sabem isto?

No entanto isso nada altera, absolutamente nada, da Lei do Renascimento e muitos entendidos (religiosos ou não) até dizem que: “a proibição da Doutrina da Reencarnação foi um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica”, sendo sim o  “elo perdido do Cristianismo”…

A verdade é que nas suas obras “De Principiis e Contra Celsum”, Orígenes (grande exegeta e Teólogo da Igreja Antiga, profundo conhecedor das Sagradas Escrituras e estudioso da Filosofia Grega), já pensava que certas passagens do Novo Testamento só poderiam ser explicadas à luz da Reencarnação.

Efectivamente, é pelo conhecimento e aceitação da “Palingenética” (a Reencarnação – conhecida por Sócrates e Platão), que se pode afastar todos os maus juizos que muita gente faz ainda sobre Deus, questionando mesmo a sua existência por causa dos males na Terra onde existem tantas guerras, fome, miséria, injustiças, desigualdades sociais, desgraças, sofrimentos, etc.

Tudo ficaria mais claro se as pessoas aceitassem que existem leis de Causa e Efeito (que os orientais chamam de Leis do Karma)  fazendo recair sobre os homens aquilo que semeiam ao longo do tempo e do espaço,  tecendo a teia de seus próprios destinos pelo “livre-arbítrio“ que possuem, sendo certo aquilo que Jesus dizia:“A semeadura é livre, mas a colheira é obrigatória” e “a colheita é conforme a semeadura” ao longo dos tempos da nossa História, concluindo ainda que o ‘pagamento’ (ou ajustamento) será sempre “até ao último ceitil”…

Por isso têm reencarnado  milhões de almas neste Planeta (as mesmas de outras vidas) ou até de outros mundos que aqui venham em missão,  envergando um traje físico pela porta dum novo nascimento e evoluir na sua própria condição, até alcançar um “corpo-luz” (como o que já possuia Jesus) para  libertarem-se definitivamente da ‘Roda’ dos Renascimentos e entrar na Vida Eterna pela via da Ressurreição.

Fonte: Rui Palmela

Anúncios
Esse post foi publicado em Artigos. Bookmark o link permanente.

Deixe-nos sua opinião, pois é muito importante para nós!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s