Obsessão e dirigentes espíritas

Meus pequenos já se perguntaram o objetivo da vida? Já se questionaram o papel que cumprem nessa jornada que se inicia no berço e adentra o Reino Maior através do túmulo?

Como meus filhos queridos poderão desempenhar, a contento, seus papéis nessa vida se nada sabem sobre si mesmos? Como poderão levar seus dias sem se importarem com o destino dos demais? São coisas importantes. Saber porque estamos na Terra e o que esperávamos dessa jornada é algo que não se pode ignorar. Esse velho sabe bem o quanto sofrem aqueles que são colhidos pelo turbilhão da morte sem terem valorizado a vida. Darão valor depois, sofrendo.

A vida, seja do rico, seja do pobre, do branco, do negro, do índio, de todos os filhos de Deus, sempre é sinal de renovação que clama por mudanças em nosso caráter. Viver é mudar e conquistar a vitória sobre as profundas deficiências que íntimas, que turvam nossas histórias.

Falávamos sobre os desvios do caminho seguro que deveríamos trilhar e vocês nos perguntaram sobre os problemas da obsessão na casa espírita. Sim ele existe, porque é um problema dos homens, onde quer que eles se encontrem. Não é uma questão do Espiritismo, mas uma questão de fragilidade de nossa humanidade, da nossa educação. As nossas falhas dizem tudo sobre nós, manifestando-se, filhos meus, como insegurança e equívocos.

Meus queridos, pai-velho precisa dizer que o tijolo que constrói uma casa de Deus é o amor que enviamos para todos aqueles que buscam ali o conforto para suas dificuldades, sejam elas grandes ou pequenas, vindos de todos os lados, de toda parte. Não é o nome que conta, mas a vontade e a iniciativa que erguem as pessoas caídas na tristeza e na lástima sem fim, que acendem as luzes da compreensão e derrubam os muros da ignorância.

Nunca deixem o amargor, que por vezes carregamos na alma, atrapalhar a construção dessa obra divina, o Evangelho de Jesus. Não permitam que as nossas imperfeições maculem o trabalho na seara do mestre de Nazaré. Abençoada luz da compreensão se difundirá, curando e balsamizando os corações aflitos daqueles que, ainda pequenos em compreensão, amor e justiça, como eu e vocês, buscam auxílio na casa de Deus.

Perdoemos aqueles que nos cobram as indenizações da alma, pelos erros que cometemos; que eles possam ver que mudamos em essência e buscamos, com o peito repleto de esperança, o caminho de luz, ainda tão distante.

Perdão, perdão… palavra bendita que deveria ser proclamada aos quatro cantos do mundo; palavra de coragem e verdadeiro motor do crescimento de meus filhos. Apenas os verdadeiramente corajosos são capazes de compreender essa realidade e perdoar. Somente os grandes de coração se levantam de suas posições conquistadas por méritos e se juntam aos demais filhos de Deus, na condição de iguais. Eles não se sentem maiores do que a luz que emana do alqueire que colocam sobre a mesa. Esse é o perfil desejado para aquele que guia os irmãos ainda menores na jornada terrena, mas nem todos são assim e temos de aprender a auxiliá-los, para que esses filhos de pai-velho não se comprometam ainda mais.

Quando peço tolerância e paciência, não peço para que se calem diante das arbitrariedades nas atividades das casas de estudo e oração, mas que ponderem antes de disparar os petardos do veneno energético que envolve e entorpece muito mais do que as drogas do mundo físico. A paciência, boa vontade e renúncia livre e sem segundas intenções certamente nos levarão para campos mais leves e livres.

Precisamos, urgentemente, de mais espiritualidade e menos religiosismo vão; de mais amor e menos rispidez; de mais disciplina com os nossos compromissos e menos reclamação, por que se todo mundo só reclama, a quem caberá o fardo da construção do mundo que tanto desejamos?

Filhos meus, em função dessas palavras, precisamos admitir a existência de muita obsessão na seara espírita. Templos de pedra que meus filhos erguem podem estar sendo utilizados pelas sombras para cultuar os novos deuses, os Baals dos tempos modernos, como o dinheiro, o poder, as viciações dos sentidos, a satisfação sexual, a falta de envolvimento com a missão da Doutrina dos Espíritos e a intemperança. Muitos médiuns se orgulham de mensagens que recebem de seus mentores famosos e apenas buscam o reconhecimento no mundo. Será que meus filhos sabem mesmo quem são os autores das comunicações transmitidas? Estão seguros dessa identificação?

Mesmo dentro das casas espíritas mais equilibradas podem existir interferências das sombras, pois elas existem em nós mesmos e servem para que os médiuns aprendam a grande lição da humildade, com as quedas motivadas pelo orgulho. Se tivéssemos a noção de nossa pequenez, não erraríamos tanto, meus filhos. Estamos aqui, no plano espiritual, e vocês, na carne, por misericórdia divina, só por misericórdia.

Essas palavras doem fundo no coração desse velho, mas sei que a corrigenda sempre vem de mãos dadas com a misericórdia, o amor e a piedade divinas e todo aquele que decide mudar obtém as forças necessárias para sua transformação pessoal. Nunca está só.

Para prevenção desse mal, da obsessão, na casa do Pai, os trabalhadores devem reconhecer suas limitações, procurando, na humildade, o crescimento e a imunização contra o flerte das sombras. Estudem e estudem muito, não para obter o conhecimento simples e frio, como palavras estéreis e inertes no livro, mas para conquistarem a sabedoria que os ajudará a auxiliar a todos em sua jornada. Estudem para reconhecerem as limitações e as falhas de cada um, que apontam para o longo caminho que todos os filhos de Deus ainda terão de percorrer na busca da paz e da concórdia, para o bem viver. Conhecimento se adquire e se transmite, mas sabedoria se conquista, com educação, renúncia e trabalho.

Filhos, filhos, sorriam diante das adversidades e se interessem pelas dores alheias, como vacina para o orgulho e porque ali, diante de seus olhos, está alguém que veio de Deus, confiante de que vocês poderão atuar como intermediários de Sua santa mensagem de amor. Sim, meus filhos, todos somos intermediários entres os diferentes planos de vida.

Aqueles que buscam servir recebem a luz e a paz que brotam da gratidão dos “anjos” e dos doentes pelo caminho.

Aqueles que vivem para buscar o reconhecimento dos homens, como sofrerão sem razão… logo se juntarão à multidão que vaga sem destino na sanha de obter uma razão para continuar vivendo. Esses filhos de pai-velho buscam a morte, mas espírito não morre, não é? Só aumentam o tamanho da confusão que terão de arrumar depois.

andam e procuram o Reino de Deus, mas não percebem que o reino, como disse Jesus, brota do coração daquele que já despertou para o amor.

Todo aquele que pensa primeiro em si mesmo e, somente depois de satisfazer suas necessidades de domínio, olha para os pequeninos deixados sob sua responsabilidade espiritual, está sob influência das forças da maldade, que ainda são muito numerosas e determinadas. Existe gente assim nas nossas casas de oração, meus filhos?

Precisamos trabalhar para a vencer o leão do orgulho que ruge em nosso inconsciente, atribuindo-nos títulos que ainda não conquistamos, além do dragão da ignorância, que esbraveja e destrói tudo que não estiver de acordo com sua maneira estreita de entender o mundo. São esses seres interiores que conclamam meus filhos a batalhas que só eles concebem; são essas forças interiores e exteriores que se aliam estimulando-os ao autoritarismo e ao uso inadvertido da hierarquia. Existe gente padecendo desses males em nossas casas de oração, meus filhos?

Pai-velho pode dizer que existem filhos assim em todo lugar, em toda igreja, toda casa, canto de terra e família desse mundo.

Nada fica parado e os meus filhos aprenderão que ter algo para partilhar é muito melhor do que necessitar da partilha de algo. Reconhecerão que a grande família espiritual de cada um de nós é a família humana, a humanidade como um todo, por esse mundão de Deus.  Veremos que somos realmente irmãos e o destino de cada um de nós depende sempre dos destinos de todos os outros seres humanos. Ninguém pode estar realmente feliz ao lado de dor e sofrimento. Como se vangloriar do carrão, enquanto crianças padecem da falta do básico? Como sentir a liberdade plena com tanta gente escrava do vício? Isso não pode ser deixado para depois, é problema do hoje, do agora.

O estudo aliado ao “bem-servir” sempre constituirão ótimo remédio para os tiranetes que se escondem em nosso coração e devemos trabalhar sempre para ter a luz e a compreensão do mestre Jesus ao nosso lado, criando, com nossas posturas, condições favoráveis para a manutenção da harmonia em nossos lares e casas de oração, vencendo o orgulho e o egoísmo, que tanto insistem para chamar a obsessão a entrar em nossas vidas.

Autor: Pai Joaquim de Angola

Trecho retirado do livro: Obsessão: Origens, Características e Tratamento segundo os Espíritos

Psicografado por: Elerson Gaetti

Anúncios
Esse post foi publicado em Psicografias. Bookmark o link permanente.

Deixe-nos sua opinião, pois é muito importante para nós!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s