DESAPEGO – O QUE É ISTO?

*Enoque Alves Rodrigues

Nem mesmo os milhares de referências Cibernéticas são capazes de nos dar a dimensão exata e verdadeira dos reais significados da palavrinha mágica denominada desapego. No entanto, todos os dias e todas as horas alguém se encontra, de uma forma ou de outra, envolvido diretamente com alguma situação que o coloca no meio desse tema, no qual, há que se enfatizar, por mais que se tenha precavido, jamais estará suficientemente preparado para enfrentar, conviver ou aceitar.

Pensadores famosos, os quais não me cabem aqui nominar, se debateram nos campos do intelecto quando se esbarraram com a termologia desapego. Incontáveis sábios devidamente inseridos merecidamente na História da Humanidade pereceram ao ver-se frente a frente com o desapego. Mas o que é o desapego, afinal? Por que é tão difícil pratica-lo? Quais são os sintomas que determinam que alguém vive em desapego? É possível viver e conviver sem se apegar a coisas ou pessoas? Quem melhor se adequa ao desapego, o rico ou o pobre?

Bem, vamos por partes: se o sinônimo de desapego significa, entre outras variações, abnegação, desamor, desinteresse, indiferença, etc., o antônimo, ou seja, o contrário, por certo, quer dizer apegamento, amor, afeição, devoção, etc., para ficarmos limitados a esses poucos adjetivos.

Viu que não é tão simples explicar?

Qual é a condição que vamos escolher para a nossa vida? O apego ou o desapego? Confesso a vocês que há muito tempo me leem, que se esses “dois carinhas” (apego e desapego) fossem objetos de consumo e estivessem expostos à venda em alguma bodega, caso tivesse eu dinheiro suficiente, na dúvida, levaria os dois, apenas para não me dar ao trabalho de tentar discernir ou decidir entre um e outro. Mas, felizmente, há momentos na vida que o comodismo só atrapalha o que quer dizer que ainda que eu tivesse grana para comprar os dois eu não seria feliz e, certamente não estaria vivendo em sintonia com os princípios básicos da Doutrina Espírita, onde muitas vezes temos que fazer escolhas.

Sendo assim, se sou impelido a optar, optarei, incontinente, pelo apego com os seus respectivos sinônimos. Entretanto, mineiramente, utilizarei das prerrogativas que me são facultadas pelo livre arbítrio para processar, aqui, uma melhora assim como adequações e adaptações que entendo imprescindíveis ao adjetivo e condição de minha predileção. Dessa forma, deixem-me explicar isso. Mas, por favor, me entendam, jamais terei o monopólio da verdade tampouco a vã presunção de angariar unanimidades em torno de minhas paupérrimas ideias que muitas vezes não passam de uma simples conclusão pessoal, mas que eu, ousadamente, coloco “no papel” por entender que a melhor forma de aprendermos um pouco mais sobre a Doutrina que professamos é exatamente nos expondo. Para tanto, conto sempre com a tolerância, compreensão e caridade dos amigos do sendeiro os quais me leem.

1.Apegamento: Por mais que venhamos a evoluir espiritualmente, enquanto os nossos pés estiverem pisando o chão desse Planeta ainda na fase primitiva de expiações e provas, ser-nos-á humanamente impossível nos desapegarmos das pessoas que amamos, das coisas que gostamos e que, a princípio, nos fazem bem. Ninguém gosta ou se apega aquilo que lhe faz mal. Não sejamos hipócritas, utilizando-nos de afirmativas vazias, como, fulano ou beltrano não me faz bem, mas nem por isso eu não deixo de me apegar a ele. Balela. Você se apegará apenas a quem lhe faz bem. Sim, porque desejar, de todo o coração, do fundo da alma, o bem para quem não lhe faz o bem, não é apego, mas obrigação precípua de todo aquele que pratica ou professa o evangelho do Cristo. Você viverá muito mais harmoniosamente com pessoas que pensam e agem como você no caminho do bem e que, de preferência, de quando em vez lhe dê afagos. O nosso ego melindroso e infantil ainda é suscetível a esses pequeninos mimos.

2.Amor: Este aqui talvez seja o mais simples de explicar. Talvez pela gama infinita que contemplam bilhões de formas de amar. Essência de tudo, o amor se encontra intrinsecamente vinculado a todas as forças de sublimidade que regem o Universo. É impossível viver sem amor. Muitos amam estarem juntos enquanto outros amam estarem separados. Uns amam praticar o bem enquanto outros se realizam agindo exatamente de forma contrária. Ama-se em socorrer crianças e velhos desamparados, enquanto outros amam lança-los à vala comum de indigentes. Enquanto aqueles que atingiram um estágio relativo na evolução humana ama dividir com os menos favorecidos o pão que lhe fora auferido com o suor do próprio rosto, outros amam lutar, ferozmente, com unhas e dentes, exatamente para não dividi-lo com ninguém. Isso quando não o usurpam em detrimento de seu semelhante. Enquanto a maioria, graças a Deus, ama viver nos caminhos da retidão, cultivando um bom caráter, preservando a vida de seus semelhantes, outros, desgraçadamente, em cumprimento aos desígnios que lhes foram concedidos no ato da reencarnação a fim de se redimirem de débitos contraídos no passado, amam viver na transgressão e se realizam ao ceifar a vida de outrem.

3.Afeição: Temos ai mais uma palavrinha mágica. Tendemos a nos afeiçoarmos a quem nos distingue com o mesmo grau e reciprocidade de afeto, carinho e ternura. É através da afeição que nos apegamos. Mas mesmo aqui temos que ter em mente que a afeição, sem afeto, carinho e ternura não existe. Em se tratando de afeição, é impossível se utilizar aquela máxima manjada de que “os contrários se atraem”. Mentira. Não se atraem coisa nenhuma. Você não acredita? Experimente fechar a cara no exato momento que alguém lhe sorrir e veja a reação do outro. Ainda não se convenceu? Então, faça o contrário. Inverta os papéis: tente manter o seu sorriso diante de quem lhe fecha a cara. O que aconteceu? Você não sentiu nada? Então, amigão, o que é que você ainda está fazendo aqui em baixo? Você está fazendo hora extra na Terra?

4.Devoção: O mesmo que devotamento. Devoto. Para termos devoção, primeiro temos que ter fé e acreditar. A fé, sem dúvida alguma, é uma das principais virtudes. É o ato de se acreditar naquilo que não se vê. Portanto, é ela de todas as premissas a que mais se assemelha dos ensinamentos do Mestre do Calvário quando nos recomenda “amar o próximo como a ti mesmo”. Como nos seria possível praticarmos o Seu maior ensinamento se não tivéssemos fé, se não acreditássemos na humanidade? Ou em nossos semelhantes, independente de quais caminhos trilham, a que credo ou etnia pertencem? Só que o amor ao qual me refiro neste ultimo parágrafo vai muito mais além dos condicionais aos quais me referi no paragrafo dois, desta crônica. E antes que você venha a pensar que estou aqui cometendo uma contradição, quero lhe adiantar que na máxima que o Mestre nos deixou não se contemplam variações, condicionais ou metáforas. Só há uma forma de amar. Ou se ama ou desama. O Cristo, Governador deste Planeta, com Sua Divindade, é preciso. Não se utiliza de meios termos ou meias palavras para se expressar ou se fazer entender. Isso é coisa de espíritos impuros, como nós, distantes milhões de anos luz da perfeição. É por isso que a frase acima ao ser, por Ele, pronunciada, foi precedida do “Amar a Deus sobre todas as coisas… E ao próximo como a ti mesmo”. Nivelou e unificou, portanto, todas as formas e condições de amar. Este é o grande, imaculado e indubitável Mandamento. E o resto é conversa fiada.

Fraternal abraço.

* Enoque Alves Rodrigues, trabalha em Engenharia, é Espírita e Escritor.

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